AFINAL CRIANÇA FORA OU NA CAMA DOS PAIS??

AFINAL CRIANÇA FORA OU NA CAMA DOS PAIS??
Tenho visto muitos “posts” sobre o tema com opiniões diversas. Que tal começarmos uma conversa/debate sobre esse assunto tão importante ??
Cama compartilhada para pais e bebês ? Até que idade? Essa idéia é defendida por alguns especialistas que acreditam que essa proximidade mãe/filho facilita o aleitamento e o vínculo. Outros fazem críticas acaloradas. preocupados com a segurança física e psíquica da criança
Bem, defendo a idéia de que não existe uma conduta ideal, melhor e única e que a melhor conduta é aquela que se ajusta à situação das pessoas envolvidas. Com situação quero me referir a todo o contexto social, familiar, psicológico, condições materiais de existência etc. Minhas considerações serão feitas para um ambiente com todas essas condições satisfatórias. .
Não existem regras universais de como criar um filho. Cada família vive uma situação distinta e singular; Não podemos considerar uma educação melhor ou pior com base no uso da cama compartilhada ou não . O melhor arranjo de sono para uma família é o arranjo que possibilita que todos durmam melhor e que fiquem preservadas as condições saudáveis para uma boa relação mãe/ filho.  Já pensaram na situação de mães que criam os filhos em espaços mínimos onde não há um quarto só para os filhos? e para aquelas ocasiões onde um filho demanda cuidados especiais devido a problemas de saúde ocasionais ou crônicos?

Para muitas famílias arranjo certo pode não ser a cama familiar e sim o tradicional berço.O importante é que os pais possam atender as necessidades físicas e emocionais dos filhos.Precisam estar disponíveis para alimentar, proteger e acolher o filho também à noite.
Espera-se que os casais estejam preparados para se tornarem pais, e para a realidade de que não conseguirão por um tempo – que pode ser meses – , dormir como antes. Um dos preços a pagar para a feliz chegada de um filho é dormir pouco ou mesmo não dormir, nos primeiros meses.
A criança esteve por nove meses conectada à mãe pelo cordão umbilical, protegida e envolvida pelo líquido amniótico e pelas paredes do útero. Ela sentia essa conexão física que é rompida com o nascimento. Essa conexão tem de ser reelaborada através do contato físico com a mãe, ao ser carregada, amamentada, e envolvida . Crianças que ficam muito tempo no berço, que são pouco carregadas no colo, podem vivenciar ansiedades e frustrações pela perda dessa conexão em um período que ainda não tem recursos cognitivos para lidar com essa separação .
Assim que os pais chegam da maternidade com seu bebê a insegurança, os medos, a inexperiência fazem com que esses primeiros dias sejam muito tumultuados . Toda a rotina familiar se altera e é preciso adaptar-se a chegada do bebê.:
Para uma decisão quanto ao uso ou não da cama compartilhada os fatores mais importantes estão ligados à saúde dos pais, ritmo e qualidade do sono, horários necessários para o dormir e o despertar de acordo com os horários de trabalho etc., Quem deve decidir são os pais, que devem ouvir seus próprios instintos, Onde seu bebê dormirá melhor? Com os pais na cama, no berço em outro quarto, num berço no mesmo quarto, porém distante da cama dos pais, no berço no mesmo quarto junto à cama (como em um co-sleeper)? E onde você dorme melhor? Finalmente, onde você gostaria que seu bebê dormisse?
Um dos defensores da cama compartilhada descreve a rotina de um ciclo noturno diário com a chegada de um bebê e justifica a cama compartilhada com base na dificuldade de se adaptar a esse ciclo.:
1. bebê chora
2. pais acordam
3. buscar o bebê
4. bebê mama
5. colocar bebê para arrotar
6. trocar a fralda do bebê
7. colocar bebê para dormir
8. deita na cama para dormir por 30 minutos
• volte 8 casas e comece tudo de novo

Os pais ficam ansiosos, temem não estar fazendo o certo mas essa rotina pode se manter por meses. Quando pai ou mãe tem características pessoais e condições de trabalho que lhes fazem necessitar muito de uma boa noite de sono estes se sentirão péssimos, mal humorados e nervosos quando não puderem dormir o suficiente ou ter um sono entrecortado. Para esses pais é impossível manter esse ciclo diário e a tentativa acaba sendo exaustiva. Os pais se sentem inseguros, raivosos, frustrados, com sentimentos de impotência e fracasso, e exauridos fisicamente.

Os recém -nascidos apresentam ciclos que se repetem a cada três ou quatro horas, , e nesse período de tempo a criança acorda, é limpa, alimentada , dorme e assim sucessivamente. Isso seria o esperado, mas alguns recém- nascidos são anárquicos e não cumprem esse ritmo , acordando e dormindo a qualquer momento.
Nesses casos, a idéia do bebê no quarto dos pais pode amenizar os problemas dos primeiros meses do bebê. A decisão de trazer o filho para o quarto do casal é uma questão de praticidade e funcionalidade..
Mesmo que os pais continuem acordando para a amamentação com a cama compartilhada a situação é menos cansativa e os pais conseguem dormir com um pouco mais de qualidade, aumentando também a chance e a motivação para o aleitamento natural e favorecendo o vínculo emocional com o bebê..

Essa proximidade entre mãe /bebê mantém a conexão permitindo que a mãe esteja mais alerta e atenta ao seu bebê, podendo perceber rapidamente suas necessidades e identificar logo qualquer problema . Com a facilitação do bebê estar a seu lado muitas mães adotam nesses primeiros meses a amamentação em livre demanda, que pode ser vital para prematuros ou crianças com baixo peso, mas que não deve ser estimulada depois do primeiro trimestre de vida. Alguns especialistas atestam que a respiração e os batimentos cardíacos de mães e bebês entram em sincronia quando ambos dormem próximo, o que seria um fator de proteção para a morte súbita infantil..
A prática da cama compartilhada tem de ser praticada de forma segura.tanto emocionalmente como fisicamente e envolve inúmeros cuidados. Varias recomendações de segurança devem ser observadas como manter o quarto fresco, não usar almofadas ou cobertores, usar colchões firmes, vestir roupas sem cordões, prender os cabelos, não usar perfumes ou loções fortes, escolher uma cama co- sleeper ou um colchão do casal no chão, ou ainda manter o bebe entre a mãe e a parede.
Essa prática pode ser, no meu entender totalmente inadequada e envolver riscos para os bebês quando os pais se movimentam excessivamente, são obesos ou de constituição física e tamanho grande, rangem dente, têm apnéia e/ou roncos , são tabagistas e ou dormem alcoolizados ou por efeito de medicamentos.
Dentro de meus referenciais acredito que a situação da cama compartilhada só se tornaria sustentável nos primeiros meses e para casais com filho único. Ou seja concordo que alguma modalidade de cama/quarto compartilhado se faz necessária no início da vida e que é teoricamente mais saudável do que a prática atual da criança dormir no próprio quarto com uma enfermeira.
Concluindo, li, achei interessante vários depoimentos e posso entender que para alguma situação especifica possa ser a melhor escolha, mas não é a minha opinião e referência..
Tomei contato com vários testemunhos de mães, casais, terapeutas e médicos defendendo essa prática. Cada um deve pensar com a própria cabeça, encarar a realidade de seu casamento, de sua vida cotidiana e então escolher a forma mais apropriada para lidar com a educação dos filhos.
Deixo aqui algumas referencias que achei pesquisando na internet e usei nesse texto e que podem ser úteis para quem tiver interesse no tema.
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/06/cama-compartilhada-protecao-amor-e.html
Cama compartilhada: por que é bom e seguro? – Cientista Que Virou Mãe
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/03/cama-compartilhada-por-que-e-bom-e.html
Bedsharing and SIDS: The Whole Truth – Evolutionary Parenting
http://evolutionaryparenting.com/bedsharing-and-sids-the-whole-truth/
The Do’s and Don’ts of Co-Sleeping – Evolutionary Parenting
http://evolutionaryparenting.com/the-dos-and-donts-of-co-sleeping/
Via Paizinho, Vírgula! – http://paizinhovirgula.com/cama-compartilhada-os-5-grandes-mitos/
!2link: http://paizinhovirgula.com/garantindo-um-sono-seguro-fisica-e-emocionalmente-criacao-com-apego/

Agora minha postura: Penso de forma diferente. Não defendo a idéia da criança dormir na cama com os pais, afinal a cama foi feita para um casal ( e nem pensar do pai sair para deixar mãe/filho, afinal eles enquanto casal devem precisar um do outro ) e além de ser incômodo, corre-se o risco de machucar o bebê..
A criança precisa vivenciar que seus pais estarão sempre dispostos a protegê-la, mas que cada um tem o seu espaço na constituição familiar . Os pais demonstram de inúmeras maneiras o quanto se preocupam e amam aos filhos e podem ser seus melhores cuidadores e protetores, independente de onde eles durmam..

Quando uma criança acorda no meio da madrugada , ela se sente sozinha, desamparada e pode ter medo, assim, precisará se garantir da presença dos pais para se tranqüilizar, Se isso ocorre durante o treino do habito de sono, o recomendado seria voltar com o condicionamento, ficar um pouco ao lado da criança e logo sair. É relativamente comum que os filhos pequenos apareçam no meio da noite à procura de um cantinho na cama da mamãe e do papai. Geralmente isto ocorre entre os 2 e 5 anos. Os pais podem se sentir tentados a permitir, seja por cansaço ou pena, Mas será que essa é uma atitude saudável?Se a criança já tinha hábitos de sono e ocorre esse despertar é importante atende-la, perguntar o que ocorreu, e tentar tranqüilizá-la voltando com ela para o quarto. A criança deve ser acolhida carinhosamente por alguns minutos e, posteriormente ser levada de volta para a cama – mesmo que isto implique em fazer o trajeto várias vezes. Os pais não devem sucumbir deitando com a criança ou levando-a para dormir com o casal. Caso necessário, melhor seria ficar alguns minutos em uma cadeira a seu lado. Se a criança foi para seu quarto leve-a de volta tranquilamente e diga que lá não é o lugar para ela dormir, já que é o quarto do papai e da mamãe. Não se deve voltar ao quarto imediatamente assim que a criança chamar. Se chamar varias vezes na mesma noite, deve-se ir aumentando o tempo de espera para atender o seu chamado, sem nunca passar de cinco minutos, tempo que não deve ser ultrapassado para que a criança não se desespere e não se sinta abandonada.
Os sistemas que envolvem o medo e a angústia de separação tornam-se menos marcantes com o tempo, pelo desenvolvimento do cérebro que começa naturalmente a inibi-los. Quando as crianças compreendem que não há qualquer perigo, que os pais estão no quarto ao lado e que, se precisarem, virão ao seu encontro, são capazes de dormir sozinhas sem chorar e sem chamá-los.
Nessas situações podem ocorrer alterações no sono das crianças( dificuldade em conciliar o sono, resistência ao dormir, passar para o quarto dos pais ) e é importante que os pais possam atender as necessidades físicas e emocionais dos filhos. Precisam estar disponíveis para alimentar, proteger e acolher o filho também à noite. A criança precisa vivenciar que seus pais estarão sempre dispostos a protegê-la, mas que cada um tem o seu espaço na constituição familiar e que ela tem o seu quarto assim como os pais têm o deles.
Quando é permitido que os filhos permaneçam na cama de seus pais, contribui-se para que a criança venha a desenvolver características e conflitos que podem marcar sua personalidade até na vida adulta Pode manter-se muito dependente da mãe, ciumenta e possessiva, ter dificuldades de obter autonomia e segurança e ainda interferir no seu posicionamento edípico na medida em que separa o casal ou faz casal com um dos pais. Ao ocupar a cama dos pais, a criança ocupa outro lugar subjetivo na família que não é o dela e isso não é salutar para o seu desenvolvimento psicosexual ,

A cama dos pais pode ser muito agradável e acolhedora, especialmente em manhas nos finais de semana, á tardinha para ver um filme juntos, mas se constitui em uma perigosa armadilha na formação do desejo sexual e da personalidade da criança. Ela deve ser levada a perceber que a cama é do casal e que ela não deve dormir com eles. É um corte, uma lei, que ao mesmo tempo que legitima e fortalece a relação do casal, ajuda a criança a se desligar da mãe com quem ainda está tendo um vinculo muito intenso e simbiótico . A criança precisa desse corte para avançar no curso de sua sexualidade, vivenciando inconscientemente os desejos e angustias edipianos.Como  dar conta dos desafios e angustias dessa fase se está ocupando antes mesmo de sair desse conflito, o lugar designado, na cama, de ser esse homem ou essa mulher? Há uma escolha objetal em jôgo que determinará em grande parte os papeis que ocupara nas relações afetivas e sexuais quando adulto .

Ocupar o lugar do adulto interfere nos processos identificatórios que estão em curso e na escolha objetal /sexual . Ao ficar em um lugar que não é o seu, ocupando o lugar do pai  ou mesmo da mãe a criança inconscientemente faz casal, com um dos pais ,  torna-se o parceiro do progenitor, em uma posição diferente ao de filho.

As consequências  da manutenção desse vinculo erotizado com a mãe, através da proximidade  com o corpo do adulto  vão desde a  manutenção de um  vinculo infantilizado  com os pais, atraso no desenvolvimento psicosexual   com manutenção da dependência afetiva até a manifestações de angustia ou fobias com medos, distúrbios  de sono,  e dificuldades de identificação sexual ,

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