Cuidado!! Vamos combater a obesidade infantil

Cuidado!! Vamos combater a obesidade infantil

O aumento da obesidade na infância é fato comprovado pelas estatísticas oficiais e é extremamente preocupante pelas conseqüências médicas e psicológicas em curto e longo prazo. A probabilidade de uma criança com pais magros ser obesa é de cerca de 9% . Se um deles for obeso a possibilidade aumenta para 50% ,saltando para 80% quando ambos são obesos. Uma criança obesa tem até 80% de probabilidade de se tornar um adulto com peso excessivo.
A melhora da condição de renda de grande parte da população não significou uma melhora na alimentação Com um maior acesso aos gêneros alimentícios, as pessoas acabam consumindo produtos industrializados com alto nível de sódio, açúcar e gordura saturada .Por outro lado os produtos naturais, orgânicos e mesmo a linha light tem um custo elevado podendo ser consumidos por apenas uma pequena parcela de famílias das classes alta e média superior.
Vários estudos já demonstraram que crianças e adolescentes obesos têm maior probabilidade de se tornarem adultos obesos e logo com tendência a doenças cardiovasculares e longevidade reduzida.
A obesidade infantil está ligada a uma maior probabilidade do desenvolvimento de níveis elevados de insulina, fator de risco para o desenvolvimento potencial do diabetes tipo 2 e a alterações do colesterol (diminuição do HDL e aumento do LDL) e triglicerídeos, o que pode levar a futuras complicações de saúde. Hipertensão, alterações ortopédicas, pressóricas, respiratórias, dermatológicas e hormonais são outros problemas que podem surgir associados à obesidade infantil, e é bom lembrar que 80% dos obesos adultos já o eram antes dos 18 anos.
Existe um consenso entre a maioria destes estudos apontando um imbricamento de fatores genéticos e ambientais. Por outro lado, a quase totalidade dos casos de obesidade não têm causas hormonais sendo explicados por alterações emocionais, culturais, regulatórias e metabólicas.
. A obesidade infantil pode ter causas endógenas ( problemas orgânicos: doenças genéticas, endócrino-metabólicas) mas a maioria dos casos tem causas exógenas que surgem em função de uma nutrição inadequada, do sedentarismo e de problemas emocionais. Estudos recentes estão demonstrando que a maioria das crianças brasileiras com sobrepeso não possui nenhuma doença capaz de gerar obesidade, mas um modo de vida que as predispõe a isso, como a influencia da mídia na alimentação, acesso fácil a comidas do tipo Fast Food, salgadinhos industrializados, doces confeitados, chocolates, alimentos de preparo instantâneo, pães, enlatados, frituras e alimentos com excesso de gordura. O índice de crianças gordas com algum problema glandular é irrelevante. Grande parte das crianças e adolescentes obesos consome uma dieta com muito mais calorias do que necessita e consegue gastar. A obesidade infantil reflete a mudança de hábitos alimentares: cada vez crianças ingerem mais gordura e menos fibras.e se exercitam menos , com mais horas na frente da televisão e/ou do computador.
Com as mudanças ocorridas na sociedade, e na família,e a inserção da mulher no mercado de trabalho. reduziu-se muito o nível de freqüência e de participação dos pais no lar.Estudos mostram que a criança que tem por hábito sentar-se à mesa com os pais para as refeições, alimenta-se melhor e está menos predisposta ao excesso de peso.Este dado é relevante e preocupante em uma época em que os pais, envolvidos com a luta pela sobrevivência em um mundo cada vez mais competitivo, diminuem enormemente o tempo de convívio familiar. Sem tempo, muitas vezes,, até para almoçar em casa, as mães não acompanham nem preparam a refeiçao dos filhos nem conseguem estimular os filhos para uma alimentação saudável, seja observando , dando exemplos ou controlando. . Na correria do cotidiano, tendo mil tarefas domésticas e de trabalho, muitas mães acabam substituindo algumas refeições da semana por fast foods , pizzas, massas de fácil e rápido preparo.
O consumo das guloseimas é facilitado pelo preço das marcas e pela variedade e disponibilidade no mercado. Para os pais que trabalham o dia todo é mais fácil dar salgadinhos e um refrigerante do que cozinhar para seu filho. “A praticidade é tentadora”.
.Outro fator que contribui para esta crescente prevalência de sobrepeso e obesidade é a diminuição de atividade física dos jovens, com mais horas na frente da televisão e/ou do computador e jogos eletrônicos, celulares etc.. Pode-se concluir com este estudo que as crianças estão cada vez mais expostas às propagandas na TV devido aos valores culturais e sociais da atualidade. Neste caso os anunciantes dos segmentos alimentícios, aproveitam a oportunidade para expor seus produtos induzindo, por meio de atrativos promocionais, o público infantil, a consumir determinados alimentos, ocasionando problemas de saúde como a obesidade .
A exposição das crianças e adolescentes às modernas mídias afeta suas escolhas e pode ter forte influencia na tendência ao aumento de peso /obesidade . Os anúncios na TV podem , em especial, afetar o tipo de nutrição que as crianças deveriam ter, fazendo-as optar por alimentos como petiscos e doces ..Grande parte dos anúncios dirigidos ao publico infantil privilegiam alimentos ,ricos em gordura ao invés de fibras e outros nutrientes essenciais. Os jovens são mais vulneráveis às promoções comerciais porque ainda não tem habilidade para compreender a diferença entre informação e propaganda.
Na obesidade exógena a dinâmica ambiental familiar em indivíduos geneticamente predispostos representa a maior parte dos casos e tem como características: o excesso de ingestão alimentar, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, relações psicoafetivas e familiares inadequadas, conflitos, desmame precoce e introdução inadequada de alimentos pós-desmame. No adolescente, somam-se a estes fatores, todas as alterações desse período de transição com as alterações metabólicas e afetivas conseqüentes, a baixa auto-estima, o sedentarismo, a substituição das refeições por lanches mal balanceados, a velocidade das refeições, o consumo excessivo de doces e guloseimas e a suscetibilidade à propaganda consumista (Campos,2003)[1]
Do ponto de vista psicológico, seja como causa ou como conseqüência, a obesidade aparece ligada a carências afetivas, dificuldades e patologias nos laços afetivos, perda da auto-estima, isolamento social, sentimentos de inferioridade, irritabilidade, depressão, dificuldades no manejo e na expressão dos sentimentos afetivos e agressivos comprometendo seriamente a adaptação sócio-emocional.
Quando a criança começa a engordar, sente-se diferente de seus colegas de grupo.Sofre por ser rejeitada, desprezada, desprezada, objeto de piadas ,vítima de bullyng , o que a faz se sentir desvalorizada socialmente. Na atualidade, gordura não é mais considerada sinal de força nem de beleza. É freqüente que crianças gordas rejeitem atividades físicas, resistam em participar de esportes para evitar expor o corpo ou então por não conseguirem ter o mesmo desempenho dos colegas. Na puberdade e adolescência, podem evitar festas e atividades sociais porque se acham diferentes e não se sentem bem com o próprio corpo; tudo isto faz com que elas se afastem do convívio com os amigos. Acnes, assaduras, brotoejas e outros problemas de pele são mais freqüentes em obesos, o que tende a aumentar os problemas emocionais dos adolescentes.
O aspecto familiar também pode acentuar o problema. Erroneamente, o ganho de peso muitas vezes é estimulado nos primeiros anos de vida. Os pais têm a idéia de que um bebê gordinho e cheio de dobrinhas é sinal de saúde. Ledo engano. Criança saudável é aquela que está dentro do seu peso normal e tem uma alimentação equilibrada. Muitas vezes, mesmo a mãe que se orgulhava da robustez de seu bebe ou de seu filho de três, quatro, cinco anos, por volta dos nove, 10 anos já começa a se preocupar, tenta restringir os alimentos, passa a advertir continuamente a criança e mesmo a repreendê-la, chamando-a de gorda.
As nossas crianças de classe média são extremamente sedentárias. Residem em apartamentos com pouca área, não caminham e são levadas de transporte motorizado para a escola e para as outras atividades extra classe.O de atividade recreativa dentro da escola também é reduzido. As crianças de níveis mais altos são privilegiadas pois moram em grandes condomínios, que possuem ótimas áreas de lazer tornando possível a pratica de esporte e atividade física diária praticadas comunitariamente
As modificações ocorridas na sociedade transformaram as relações materno filiais e o conseqüente estabelecimento dos vínculos construídos em grande parte a partir dos cuidados com a alimentação do bebê humano Essas alterações freqüentemente se manifestam pela fixação em prazeres orais, pela busca de compensação do vazio e da solidão, através do alimento. Sozinhas, estas crianças talvez encontrem no alimento uma única forma de satisfação oral e primitiva de que tanto necessitam. A voracidade de algumas crianças, a gula, são muitas vezes expressões de conflitos e incompletudes vivenciados nas suas primeiras relações objetais, onde pode ter havido falta de contato e excesso de alimentação.
É fundamental propiciar à criança uma alimentação rica e balanceada, diminuindo a quantidade de alimentos gordurosos, como doces, frituras, refrigerantes, e incluir na dieta alimentos mais nutritivos, como frutas, verduras e carnes de aves. Mas esse primeiro passo não é simples; precisa não só da supervisão dos pais, mas também de seus exemplos,estímulos e controle.
Uma criança que está triste e solitária, sem estímulos afetivos suficientes, tende a compensar essas carências ingerindo alimentos como doces, biscoitos, guloseimas e frituras. A obesidade tem uma etiologia multifatorial e não pode ser abordada por intervenções isoladas, sem planejamento e continuidade.
A criança deveria, ser estimulada, ainda cedo, (por volta dos quatro anos) a desenvolver alguma pratica esportiva. Muitas crianças necessitarão de um estimulo adicional e de um acompanhamento mais de perto para serem iniciadas e sentirem prazer com as atividades físicas. Não basta a disponibilidade dos pais de arcarem economicamente com a atividade e a condução das crianças. Elas necessitam da presença, interesse e do estimulo deles. A atividade física é fundamental à manutenção do peso das crianças e não depende apenas da pratica de esportes, mas, também das atividades físicas embutidas em um estilo de vida cotidiana mais autônomo e participativo. Este comportamento propicia às crianças cuidarem de si, a cooperarem nas tarefas domésticas e a zelar pelos seus pertences. A participação dos próprios pais na atividade física, como forma de apoio e modelo a ser seguido, é imprescindível na criação de hábitos regulares de movimentação física,. Assim, é preciso que a família, prazerosamente, planeje atividades familiares movimentadas como caminhadas, natação, passeios de bicicleta, jogos com bola, e mesmo maratonas de limpeza domestica.
Como os filhos não são pacotes, nosso papel não é embrulhá-los e remetê-los, simplesmente, para as diversas atividades de sua agenda, comumente lotada. As crianças que já têm algum excesso de peso, algo gordinhas, em geral, terão maior preguiça, cansaço, e menos disposição para a pratica de exercícios, resultantes desse excesso, à falta de hábito e de condicionamento, ou mesmo ao tipo de dieta alimentar que recebe. A comida, muitas vezes, torna-se para as crianças, uma companheira, uma fonte de prazer, sempre disponível. É importante, pois, estarmos atentos aos aspectos psicológicos e relacionais, recuperando a convivência com elas, melhorando o diálogo, para compreendermos os motivos de sua voracidade, de sua obesidade, de sua carência, de seu descontrole alimentar ou de sua inércia e inatividade.
Nos anos que precedem a adolescência ocorrem muitas mudanças corporais, sociais e psicológicas que podem favorecer o ganho de peso. É comum , nessa fase que a criança substitua refeições, comendo salgadinhos e beliscando o dia todo. Substituem o almoço por biscoitos e refrigerantes , exageram nos doces e experimentam todo tipo de novidades anunciadas pela TV .
Muitos pais costumam negar que seus filhos estão engordando, minimizando as dificuldades apresentadas. Não se iluda .Compare seu filho com os colegas de classe: ele está mais gordo ou é só mais desenvolvido ? Converse com o pediatra, veja a opinião dele.Percebe se ele está se cansando mais facilmente do que os amigos quando pratica atividade física ou se está evitando fazê-la? Lambisca muito entre as refeições? A alimentação de seus filhos é pobre em verduras, legumes, frutas, e rica em doces, chocolates, massas, frituras, refrigerantes e salgadinhos?
Existem pais que se preocupam, às vezes até excessivamente, com o aspecto físico dos filhos ( em especial das filhas ).Têm pavor da obesidade e passam para os filhos uma preocupação e uma ansiedade em relação a sua imagem corporal mas não os orientam e educam para ter uma melhor qualidade de vida.
Temos encontrado na clinica, púberes e adolescentes, excessivamente preocupados com o engordar, mas, que por não receberem um real apoio familiar, seguem orientações de revistas, sites na internet, chats com outros adolescentes, seguindo normas fornecidas por outras pessoas. Tais procedimentos, que incluem dietas desequilibradas, em termos de macronutrientes ou excessivamente restritivas, prometem a perda mágica de peso, além de sugerirem substituição de refeições por alimentos líquidos, sopas e shakes, que podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares como anorexia e bulimia.

[1] Campos, Alba Lucia Reyes . Aspectos psicológicos da obesidade , IN: Fisberg, M . Atualização em obesidade na infância e adolescência, Ed Atheneu, 2003.

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