Ainda falando de Pai e revisitando o texto de Inez Lemos Cadê o Pai?

Hoje reli um artigo de Inez Lemos, historiadora e  psicanalista a quem muito admiro e a quem segui por muito tempo  em  cronicas e  artigos e no blog” amores urgentes” .

Hoje  posto aqui um de seus textos, Cadê o pai? pois este  traz elementos para enriquecer  nossa discussão sobre a função paterna e o lugar do Pai. Convido  voces a conhecerem o blog de Inez :http://amoresurgentes.blogspot.com.br .

Vale muito a visita.

Nesse blog Inez se apresenta em seu perfil e mostra seu percurso: ….” O percurso transdiciplinar possibilitou-me uma leitura ampla e complexa sobre os sintomas – as chamadas patologias da falta e do excesso: bulimia, anorexia, toxicomania, obesidade mórbida, gravidez precoce, excesso de consumo, vícios cibernéticos (internet), desrespeito e intolerância (atos racistas), indisciplina, violência e criminalidade. Tentando expandir o campo de reflexão e contribuir com o desafio da educação na sociedade de consumo, passo a escrever artigos debatendo os sintomas da sociedade contemporânea. Depois de alguns anos publicando no caderno Pensar do jornal Estado de Minas, e no intuito de atender aos leitores, resolvo reuní-los no livro Pedagogia do consumo: família, mídia e educação (Autêntica). Tanto o blog quanto o livro resultaram de uma demanda dos leitores por orientação na condução da educação na atualidade.”

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Cadê o pai?
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Ele não tem filho e começou a namorar uma moça que tem um menino. Este, somente aos cinco anos, conheceu o pai biológico porque a mãe entrou na justiça pelo reconhecimento da paternidade. O menino, que não estabeleceu vínculo forte com o pai, acabou tecendo laços afetivos com o namorado da mãe. Apesar do namoro se romper, o ex-namorado manteve a relação com o menino que até hoje o chama de pai.
Essa história coloca em cena o quanto é importante, para a criança, que alguém cumpra o papel de pai. Pai é aquele que enoda com o olhar e estreita nos braços. Não importa se o pai é empresário ou desempregado, silencioso ou carinhoso. A expectativa que a palavra pai provoca nos filhos é sempre de segurança, de quem protege e orienta. Eles sempre esperam do pai paciência, compreensão, lealdade. Pai mitologicamente é representação de referência, vetor – o experiente que conduz, sabe dizer sim e dizer não, permitir e proibir.

Sabemos que grande parte dos lares hoje são monoparentais, em muitos deles é a mulher quem exerce a função paterna. Importa registrar que, mesmo que o mundo vire de cabeça para baixo, os filhos vão querer saber: cadê meu pai? Uma coisa é certa: a garotada sente uma falta danada desse sujeito meio em extinção, haja visto os pais de aluguel, de quem os garotos não querem abrir mão.

A questão é chamar atenção para a importância da figura paterna. Ser pai num mundo que convoca o homem o tempo todo para a competição, que cobra dele sucesso financeiro, posição social e sexual, não é fácil. Se ele não empenhar sua imagem nesse modelo, poderá sentir que fracassou. Como convencê-lo de que seu sucesso não pode custar o fracasso do filho? Temos certeza de que um filho bem amado pelo pai, que pode com ele contar e desfrutar de sua companhia, jamais irá reivindicar na justiça a herança que esse não foi capaz de lhe deixar. No entanto, o contrário já ocorreu: o filho cobrar judicialmente o carinho que não recebeu do pai.

O homem precisa fazer jus aos significantes que definem o imaginário da paternidade – instância fálica que simboliza autoridade e peça chave na estruturação do sujeito. Sem passar pelo simbólico, nenhum pai vai conseguir impor autoridade. Há pai que deixa a criança sedenta de afeto. Faz promessas e não cumpre, nem explica por que não pôde cumprir. Muitos homens, separados, arrumam outra família e aproveitam da situação para abandonarem os filhos. Longe de moralismos, interessa reforçar a importância da presença e do carinho dos pais na formação e desenvolvimento psíquico dos filhos.

O mundo está cada vez mais povoado de jovens sem educação, violentos e criminosos, que divertem-se espancando e roubando. Com uma educação consistente, mães e pais atentos, crianças bem providas de afeto, conquistaremos um mundo menos violento. Pais, mãos à obra, essa tarefa é de vocês e carece ser cumprida. Nem todo garoto conta com a sorte de se deparar, pela vida afora, com um pai – seja biológico ou não, casado ou não – que o acolhe e o ame. Como fez aquele bom rapaz.
Postado por Amores Urgentes Inez Lemos

Continuando o tema da última postagem, é pertinente entender melhor  a importância e o lugar do Pai. Em toda instituição alguém tem que representar a lei , as pulsões humanas necessitam ser controladas e  sem normas e leis , a convivência ficaria comprometida.

Essa função de Lei deveria  ser desempenhada pelo pai, mas pode ser exercida por outra pessoa, pela própria mãe ou por outras pessoas que se relacionam e têm vinculo afetivo com a família.  Isso é muito importante de se pontuar, já que hoje temos um número muito grande de lares com a ausência real ou emocional da figura paterna, Predominam , infelizmente, os lares monoparentais onde a mãe é quem desempenha todas as funções junto aos filhos.  É muito importante  essa função do pai como interventor, impedindo o acesso livre do filho a mãe, como objeto de desejo . É necessário que alguém liberte o filho  da relação exclusiva com sua mãe e que coloque limites nessa relação . Essa função paterna , interditando o livre acesso à mãe e tirando-a do vínculo dual com esta, possibilita uma estruturação saudável da personalidade . Um bom pai, que assuma esse papel de lei e que consiga ter uma relação direta e  saudável com os filhos,. pode evitar muitos conflitos e adoecimentos, com formação de sintomas na adolescência.

O  pai deve ocupar seu lugar junto à mulher e tê-la como objeto de seu desejo , sustentando assim sua relação com ela e deixando isso claro na família : essa mulher é minha mulher, é sua mãe, mas minha mulher.  O filho tem de ser colocado no lugar do terceiro e não como parceiro da mãe.  Ao orientar seu desejo   para  a mãe de seus filhos, o pai torna claro o lugar de cada um na família. Passa assim claramente para os filhos a mensagem que  não podem  investir eroticamente a relação com mãe e que devem dirigir seus próprios desejos  para outros alvos que não  a mãe,  Esse direcionamento vai permitir que os filhos possam viver  sua sexualidade sem medo da punição do pai  por rivalizarem com ele e podendo assumir seu lugar e papel social na sociedade.

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