CORPO E AUTO ESTIMA

Como é difícil gostar de si , quando estamos alguns quilos acima da tabela e a balança acusa excesso de peso. Nossa auto estima é extremamente afetada pela visão que temos de nós mesmos e embora saibamos que nunca temos uma imagem real de nosso corpo ( sempre nos vemos diferentes do que somos , mais gordos, mais magros, mais novos, etc) . Temos tendência  de  ressaltar nossa força e qualidades , e  a negar ou minimizar nossas fraquezas e pontos fracos. Sempre  vemos o envelhecimento no outro e nossa imagem pessoal tende a se manter estática  como se o tempo não   passasse para nós.

De tempos em tempos, pode acontecer que nos assustemos com a imagem que o espelho nos devolve e que reajamos com estranheza como se aquela imagem fosse falsa, não correspondesse a nós mesmos. pois não conseguimos nos reconhecer nela. Essa característica humana explica a intensa dificuldade que os obesos têm para admitir que estão gordos, não se vêem de forma real.

O peso da cultura com seu ideal estético esguio,  a mídia que enaltece os corpos finos, esbeltos , até esquálidos, torna difícil que uma pessoa , em especial,  jovem, possa gostar de si quando não corresponde a essa imagem idealizada veiculada  como ideal .. Ser magro passou a ser um valor central na nossa cultura, A beleza hoje é um bem de consumo como outro qualquer . Não  teria problema nenhum querer ser bonita , o que se questiona é que para essa beleza existam padrões pré-determinados , como corpos magros, peitos grandes, cabelos lisos.

Um dos efeitos mais perversos dessa tentativa de controlar o corpo das mulheres é derrubar a auto estima e a capacidade de valorização das suas singularidades . Ter um corpo é ter uma identidade e alterá-lo para agradar aos outros , é uma forma de ser menos dona de si mesma denotando a imaturidade e a insegurança da mulher.  O ideal de magreza e beleza hoje está associado com a perspectiva de sucesso e felicidade. Subestima-se a possibilidade do sucesso através da  construção de  uma pessoa individual, com vida interior rica, inteligência e sensibilidade. mas sem ter de se curvar aos padrões estéticos.  O ideal de magreza passou a ser  sinal de sucesso, passaporte para se conseguir beleza, poder, dinheiro e valorização. Todas mulheres enfrentam diariamente essa pressão, escravas de uma cultura que lhes impõem uma   diversidade de ideais dos quais precisa  ao menos conseguir se aproximar: ser magra, ter sucesso, saber conciliar ser profissional, mãe e  mulher. Cansada diante de tantas   exigências  e atribuições, sentindo-se em dívida consigo mesma e com os outros, a mulher vive culpada e impotente  diante da constatação da impossibilidade de ser tudo isso que se exige dela..  Essa hipervalorização da magreza tem acentuado a relação entre a auto – etima e a imagem do corpo magro e afeta em especial aos adolescentes.

A auto estima  é resultante de tudo o que influi no que  valorizamos  em nós mesmo, o bom, o mal. nossos pontos fracos e os fortes.Nossa auto estima foi sendo formada desde a infância através dos olhares de nossos pais. Precisamos ter certeza de que somos amados pelos nossos pais, pelo que somos e quando não conseguimos essa segurança crescemos dependentes emocionalmente dos outros, do olhar do outro de aprovação e de admiração.

É a auto-estima que nos faz retrair e não participar de atividades que nos fariam ter de lidar e enfrentar nossos pontos fracos. Como é difícil, particularmente na adolescência não saber nadar, não ser bom de bola, ter um físico que não corresponde aos padrões valorizados.

Quando somos rejeitados por algo que não sabemos fazer, por alguma habilidade que não temos desenvolvida, posso pelo menos tentar compensar essas faltas, falhas, com outras características positivas  que posso ter : não sou bom de bola, mas sei dançar bem, sou bom ouvinte, entendo de musica,  sou bom aluno, tiro notas boas, etc. Mas quando a falha é no corpo, na imagem física como compensar de forma saudável ? .Não   é infrequente que adolescentes gordinhos tendam a se submeter passivamente aos amigos, comprando-os com a benevolência e passividade, deixando-se levar pelo grupo para ser aceito.

È com o corpo que temos , que teremos de enfrentar a vida diariamente, é com ele que temos de  impor, procurar ser aceito, interagir, A adolescência é um período cheio de inseguranças, dúvidas, inquietações  e nessa fase todo jovem precisa muito sentir-se aceito , amado e  valorizado pelo grupo, ser popular.

Enfrentar essa etapa com problemas de peso torna tudo mais difícil, e o adolescente se sente impotente, frustrado por não conseguir mudar essa situação. É muito difícil perder peso, mudar  hábitos, abrir mão de prazeres imediatos em busca de um emagrecimento que será lento e  instável,  e de uma imagem de si idealizada mas que demorará muito a se concretizar e se firmar.  É preciso gostar de si, acreditar que você é capaz  de fazer isso por você .É preciso se libertar dessa opressão e deixar de se posicionar como objeto no desejo  do outro. É preciso encontrar   o próprio limite, poder reinventar a cada dia, os caminhos do seu  desejo , e seguir buscando ser e estar cada dia melhor com você inteira e não  apenas com seu corpo.

Você merece ,  pode e deve ser feliz agora.Mesmo com alguns quilos a mais .Acredite que você pode mudar os ponteiros da balança a seu favor, depende só de você.   O importante é  não se acomodar, não se resignar, mas com inteligência ir planejando e construindo uma outra imagem de si que você pode e deve  construir.

Essa determinação  tem de vir de você, não adiantam fórmulas mágicas, remédios e regimes milagrosos,  você vai ter de aprender a se conter, a se educar, a distinguir fome de necessidade de comer. e aprender a adiar a gratificação de impulsos, substituindo prazeres  e focando em resultados a médio prazo.

Sucesso para todos que iniciarem essa caminhada. Vale a vida.

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