O sono na infância e seus distúrbios

Organizado por Maria Luisa de oliveira Salomon

Para compreendermos os distúrbios do sono na infância, particularmente,   a insônia e a dificuldade em conciliar o sono, vamos iniciar revendo alguns conceitos sobre a fisiologia do sono e seu significado .

“O sono até os três meses de idade é  uma necessidade puramente  fisiológica  Contudo , sob a ação conjugada da ritmicidade endógena e da pressão do ambiente, transforma-se pouco a pouco, em uma função relacional fundamental.” (Ajuriaguerra&Marcelli, 1984)

É uma atividade humana carregada de  fascínio e mistério  e desperta os mais primitivos temores , associados ao desconhecido, à desproteção, e à morte.  Mas ao mesmo tempo é uma insubstituível fonte de prazer até para aqueles que  dizem dormir pouco por não necessitarem de tantas horas de sono. Não há quem viva sem dormir.

As características do sono  evoluem muito rapidamente desde os primeiros meses de vida . O sono se divide em dois grandes períodos 1) sono paradoxal e 2) sono calmo e lento. Habitualmente ele é dividido em 5 fases

AS FASES DO SONO

1ª: A primeira fase é a do adormecimento, responsável  por  5 a 8% do tempo total do sono, que pode durar de alguns instantes até cinco minutos. É uma  zona intermediária entre o estar acordado e dormindo. Nela a tensão muscular diminui e o cérebro produz ondas irregulares e rápidas. A respiração começa a tornar-se  suave  mas,  se a pessoa for acordada nessa fase ela reagirá rapidamente negando que estivesse dormindo.

2ª: Na segunda fase a temperatura corporal e os ritmos cardíacos diminuem, assim como as ondas cerebrais. Essa fase ocupa de 45% a 55% do tempo de sono, durando aproximadamente 20 minutos. A pessoa cruza o limite entre o estar acordado e dormindo e os olhos já não respondem a estímulos externos.

3ª: O corpo começa a entrar em um sono profundo. As ondas cerebrais tornam-se grandes e lentas. É uma fase rápida e dura apenas 5% do tempo total de sono

4ª: Na quarta fase,  o sono é profundo e a pessoa fica totalmente inconsciente. È a fase do sono lento calmo  e profundo e nela a pessoa se recupera do cansaço diário. É a fase fundamental para a liberação de hormônios ligados ao crescimento e para a recuperação de células e órgãos. Corresponde a menos de 20%  de tempo do sono .

5ª: Na quinta fase ou sono REM, a atividade está em pleno vapor e desencadeia o processo de formação de sonhos. A freqüência cardíaca e respiratória voltam a aumentar, os músculos ficam paralisados e a pressão arterial sobe. É nessa fase que o cérebro fixa as informações captadas durante o dia, mas descarta as menos importantes. (  fase de sono rápido, sono paradoxal ou REM).

Os sonos das crianças e dos adultos são diferentes.  Um recém-nascido dorme  , em media ,17 horas por dia , mas já por volta dos 3, 4 meses a média cai para  15 horas . O  ritmo e a quantidade vão se modificando lentamente e,  com um ano,  a criança costuma dormir por  volta de 13 horas,

No curso do sono ocorre uma alternância dessas diversas fases , Nas crianças o sono paradoxal chega a representar 50% do tempo do sono,  enquanto nos adultos não atinge 20%. O sono lento é observado principalmente nas quatro  primeiras horas de sono enquanto que o sono  paradoxal predomina  no fim da noite. Nas crianças,  até dois anos de idade, aparece uma fase paradoxal precoce  30, 40 minutos após o adormecimento.

Marcelli(2009) relata várias funções do sonho e do sono paradoxal. Há uma função de maturação, de liberação e de descarga de tensões instintivas e uma função de programação em que os traços mnésicos deixados pela experiência diurna são integrados, ligados e programados durante o sono paradoxal.

A partir dos trabalhos de Freud, o sono e o sonho passam a ocupar um lugar de destaque na teoria psicanalítica. Para Freud, o sonho é um compromisso entre a “realização de um desejo imaginário inconsciente” e  o efeito da diminuição da censura, que se torna  mais tolerante graças ao sonho, mas associada à manutenção da atividade pré-consciente que o sono preserva” (Marcelli, p 79).  Como se vê,  dentro da abordagem psicanalítica,  o sonho é um fenômeno passivo de descargas de desejos inconscientes .É também o guardião do sono, na medida em que permite que ele continue.

As pré formas do sonho já existem nos bebês mas é só a partir dos dois anos  ou   dois anos e meio que a criança pode fazer um relato do sonho. A natureza dos sonhos  varia: sonhos de realização de desejo, sonho de revivescência de acontecimentos passados, restos diurnos, sonho de punição e sonhos de angústia ou pesadelos.

Para adormecer, é preciso que a criança possa repousar, escorar-se em uma boa imagem fusional mãe/filho protetora, aceitar essa regressão e investi-la de uma carga libidinal não ameaçadora.  O papel do meio seria o de ordenar a área transacional do adormecimento para que a regressão seja aceita ou mesmo esperada ,

Uma das funções do pediatra seria orientar os pais a respeito do horário do sono das crianças.  É extremamente freqüente,  na clinica  depararmos com crianças que dormem muito pouco, ficam acordados ao lado dos  adultos e que  só adormecem,  por exaustão, na maioria das vezes,  fora de suas camas . Muitos , mesmo antes dos  cinco anos,  se negam a fazer a sesta e levantam muito cedo alterando toda a dinâmica familiar. Atualmente, com as modificações dos hábitos familiares ,  tem sido freqüente que crianças  durmam muito tarde, por volta das  22, 23 horas, o que é absolutamente inadequado e prejudicial para seu desenvolvimento físico e psíquico.

Encontramos muitas crianças irritadiças, nervosas . com dificuldades de concentração, agitadas, simplesmente por que não estão dormindo o suficiente .Os pais precisam ser orientados quanto à necessidade e o  benefício do sono iniciar-se por volta das 20:30 h  e para a manutenção  da sesta quando se trata de  crianças menores. È importante que a sesta  ocorra em horários e períodos de tempo que não interfiram nas outras funções,  igualmente necessárias e  importantes para a criança. como brincar, almoçar, ter convívio com a família,  dormir antes das  21 horas.

DISTÚRBIOS DO ADORMECIMENTO

A insônia no primeiro ano de vida é  freqüente e  parece refletir  um problema relacional entre o bebê e o  ambiente. Em geral, essa insônia está ligada a condições inapropriadas do ambiente físico ou humano ( rigidez excessiva dos horários de refeição, excesso de alimentação,  condições acústicas inadequadas) e  desaparece quando  ocorre uma melhoria dessas condições .

Existem outros quadros de insônia,  mais graves onde o bebê  chora, grita, fica muito agitado, com balanceios ou , contrariamente,  pode ficar deitado de olhos arregalados, silencioso,  sem nada pedir e  sem chorar.  Estas insônias estão presentes em patologias graves como psicose, autismo e traduzem o fracasso na capacidade de regressão do bebê,  a uma boa imagem fusional com a mãe protetora , na qual o sonho do bebê se apóia normalmente ( Fain)

Qualquer insônia precoce grave  é preocupante e requer uma investigação psicodinâmica profunda das interações familiares, em particular da relação mãe/ filho.

DIFICULDADES PARA CONCILIAR O SONO

Bem mais freqüente que as insônias são as dificuldades de adormecimento que fazem parte do desenvolvimento normal da grande maioria das crianças, sobretudo entre  2 e 6 anos.

Dormir não é  um estado tão natural. É preciso criar o hábito, para  aprender a dormir. O sono não é um estado inconsciente pois o cérebro continua tão ativo como  quando estamos acordados. O cérebro nunca dorme.  Uma má noite de sono provoca irritabilidade, nervosia, e é responsável por um mau desempenho pois dificulta a capacidade de concentração e de aprendizagem . De uma forma mais simples , a teoria diz que o sono dá às células do corpo uma oportunidade para se regenerarem enquanto que,  ao próprio cérebro,  é dado tempo para arrumar as experiências do dia.

A maior parte das dificuldades de adormecimento resultam de condições exteriores impróprias como barulho, coabitação com pais ou outras pessoas, irregularidade no  horário de se  deitar, ou devido a uma pressão externa inadequada ( rigidez excessiva ou oposição aos pais)  e ainda devido a um estado de ansiedade ou de uma organização conflituosa interna que faz temer a regressão induzida pelo sono.

Muitas crianças precisam ser ensinadas a dormir e para que elas adquiram  o  bom hábito de sono são necessários vários requisitos. Crianças pequenas costumam ter dificuldade de aceitar a regressão que traz  o adormecimento, na medida em que a aparição dos primeiros sonhos de angústia faz do sono um estado inquietante. A  criança que teve sonhos ruins costuma não querer se deitar,  luta contra o sono,instaura diversos rituais obsessivos ( exige um objeto contrafóbico como  luz acesa,  dedo, bico, bichos de pelúcia etc.) exige a  presença dos pais, velando por ela, ou contando uma história.  Essas manifestações obsessivas discretas traduzem a tentativa de  dominar a angustia suscitada pela  ruptura  da relação e da emergência pulsional . Os pais percebem essas dificuldades e a necessidade da criança quando atendem a criança, contando histórias, cantando para favorecer o relaxamento.  É um hábito saudável e tranqüilizador para que a criança adormeça assegurando-se da presença e proteção dos adultos que cuidam dela. Isso pode ser feito através de uma pequena historia, ficando um pouco ao lado da criança, ou colocando uma musica calma e em tom bem baixo.

Os pais  devem estabelecer uma  rotina  de horários para o sono, mantendo um ritual específico antes de dormir. Esse roteiro poderia incluir o banho, ir para o quarto, reduzir a luz , amamentar e ir para o berço com crianças ainda  em amamentação . Tudo isso contribui para que o bebê relaxe e, em conseqüência, durma melhor.

Com relação a crianças de  2, 3 anos ,  a rotina poderia incluir  banho, deitar-se, ouvir uma historia contada pelo pai ou pela mãe , ao seu lado  e  a seguir mostrar à  criança a  postura correta  de dormir,  despedindo-se  dos pais com um beijo, saudação, orações ou preces de acordo com a filosofia de vida da família.

É  importante que  nos rituais para dormir as crianças entendam a necessidade da escuridão ou diminuição significativa da luz e  do silêncio. É preciso que estes estímulos externos estejam associados ao sono noturno. Assim não é recomendado que existam aparelhos de TV no quarto ou outros eletrônicos, mesmo com crianças mais velhas. O hábito de uma música suave em tom baixo, se foi introduzido desde os primeiros meses de vida, pode ser um bom substituto da  presença dos pais para algumas crianças.

Para uma boa noite de sono a criança deve estar bem alimentada ,assim, a mamada noturna (ou o lanche / jantar ) tem um papel importante para que ela  durma por mais horas e melhor.

Respeitando estas condições fica facilitada a tarefa de ensinar os filhos a dormir. Dessa forma eles aprendem a  conciliar o sono por si sós, sem a ajuda de ninguém. Para que ocorra essa aprendizagem é necessário uma atitude adequada por parte dos pais ( segurança, tranqüilidade  atitude de ensinar e repetição) e a manutenção regular de elementos externos ( cama ou berço, ursinho, chupeta, a historinha contada, a musica cantada ). Não  é tarefa fácil de se obter. Quanto mais cedo se começa,mais facilmente se conseguirá o sucesso  pretendido..

As crianças percebem os estados emocionais dos adultos,, Nesse caso a criança não se sentirá segura para dormir; não incorporará o hábito do sono  se os pais não lhe transmitirem a segurança de que ela precisa para entender que,  deitar e adormecer,  é  uma  coisa  natural , saudável e necessária ..

A maior parte dos especialistas em sono, aconselham que não se deve ficar ao lado da criança esperando que ela durma, cantando ou embalando-a nos braços. De fato , se os pais conseguirem desde o segundo, terceiro mês de vida de um bebê, que ele fique no berço ao anoitecer e durma sozinho, será ótimo para pais e filhos. Contudo, nem sempre isso ocorre e não necessariamente por falta ou inexperiência dos pais. Cada criança tem uma personalidade básica, um ritmo biológico e estes interferem com os aspectos do ambiente  dificultando o sono.

Quando não se conseguiu ensinar um bebê a dormir sozinho, outras técnicas e táticas  precisam  ser introduzidas e tentadas pelos pais tornando-os muito ansiosos e cansados,  o que tende a piorar a relação com a criança.

Ficar ao lado da criança, sentada, em silencio, apenas mostrando que se está ali ao lado dela,  pode funcionar como fator tranqüilizador. e necessário para  muitas  crianças.  Algumas mães, cantam , contam estórias o que pode  ser   útil e necessário,  desde que não se torne obrigatório.

Pais que tiveram tempo  para ficar um pouco com os filhos, fizeram a refeição noturna juntos, brincaram um pouco com os filhos, desenhando,  vendo filminho, contanto estórias  vão ter  mais facilidade para colocar os limites necessários, indicando a hora de dormir, mostrando a eles que a criança precisa disso para crescer saudável e tornando claro, que  os pais também precisam de um tempo a sós para eles.

O ideal é que a musica, a estória ocorram só nos momentos iniciais e aos poucos os pais devem ir se retirando para que a criança, com seu bichinho de estimação, bico ou manta,  possa aprender a dormir.

Sintetizando para reeducar seu filho de mais de 3 anos e que ainda não adquiriu o hábito do sono, seguiremos os mesmo passos. Primeiro um banho relaxante, depois o jantar idealmente por volta das 20 horas,  seguido de alguns minutos, em que vocês ficarão juntos fazendo algo agradável ( uma canção de ninar, uma historia, um jogo tranqüilo ) Depois desse ritual, é hora de levá-lo ao banheiro, acompanhá-lo até a cama, dar-lhe  boa-noite e sair do quarto enquanto seu filho ainda estiver acordado.  Isso deve ser feito  por volta das oito e meia  às nove horas da noite.

O horário deve ser seguido com rigor, e a escolha não é fortuita. Tem a ver com o fato de que o cérebro da criança está preparado para ir dormir por volta das oito e meia da noite.

Estivill e Béjar (2006) sugerem dar um boneco para a criança  e dizer algo como : ” a partir de hoje  você vai dormir com  o Chiquinho, ele ficará com você a noite toda” Mesmo que a criança não demonstre entusiasmo, deixe o boneco com ela e continue com essa mensagem mesmo se a criança estiver chorando, reclamando , não querendo deitar” .

Os pais não devem amolecer nem deixar que a criança imponha condições  ( deixa eu dormir na sua cama, no sofá,  ligue a TV, etc. ) Não podem se deixar envolver pelos truques que as crianças costumam utilizar nessa hora: estou com fome, sede, quero fazer xixi, estou com medo…. Se você cumpriu o ritual sabe que ele não está com fome, com sede nem com vontade de fazer xixi. Quanto ao medo tranqüilize-o sem perguntar muito, dizendo que ele está seguro, que nada de ruim pode acontecer com ele e que você está ali presente na casa.

Mesmo que a criança chore não altere a rotina imposta . Se ela chamar você de volta ao quarto, deixe passar um minuto e volte ao quarto,  não para fazê-la dormir, mas para que ela veja que você não a abandonou , O máximo que deveria ser dito nessa hora seria algo como “o tanto que você a ama e que está ensinando-a  a dormir o que é importante que ela  aprenda.”  Você vai dormir aqui com .. o Chiquinho, o ursinho, etc.”  A criança precisa entender que os pais a amam mas que não vão ceder e não vão ficar no quarto  por mais que ela chore e faça cenas.  Precisa sentir a segurança dos pais, e nessa fase inicial de treinamento do sono, os pais podem ter de voltar ao quarto várias vezes durante a noite, mas sempre apenas repetindo esse ritual

( Estivill e Bejar, 2006) .

Quando uma criança acorda no meio da madrugada , ela se sente sozinha, desamparada e pode ter medo, assim, precisará se garantir da presença dos pais para se tranqüilizar,  Se isso ocorre durante o treino do habito de sono, o recomendado seria voltar com o condicionamento, ficar um pouco ao lado da criança e logo sair. Se a criança  já tinha hábitos de sono e ocorre esse despertar  é importante atende-la, perguntar o que ocorreu, e tentar tranqüilizá-la voltando com ela para o quarto. A criança deve ser acolhida carinhosamente  por alguns minutos e, posteriormente ser levada de volta para a cama  – mesmo que isto implique em fazer o trajeto várias vezes. Os pais  não devem se sucumbir deitando com a criança ou levando-a para dormir com o casal. Caso necessário, melhor seria ficar alguns minutos em uma cadeira a seu lado. Se a criança foi para seu quarto leve-a de volta tranquilamente  e diga  que  lá não é o lugar para ela dormir,  já que é o quarto do papai e da mamãe. Não se deve voltar ao quarto imediatamente assim que a criança chamar. Se  chamar varias vezes  na mesma noite, deve-se ir aumentando o tempo de espera para atender o seu chamado, sem nunca passar de  cinco minutos, tempo  que não deve ser ultrapassado para que a criança não se desespere e não se sinta abandonada.

Os sistemas que envolvem o medo e a angústia de separação tornam-se menos marcantes com o tempo, pelo desenvolvimento do cérebro que começa naturalmente a inibi-los. Quando as crianças compreendem que não há qualquer perigo, que os pais estão no quarto ao lado e que, se precisarem, virão ao seu encontro, são capazes de dormir sozinhas sem chorar e sem chamá-los.

Nessas situações podem ocorrer alterações no sono das crianças( dificuldade em conciliar o sono, resistência ao dormir, passar para o quarto dos pais )  e é importante  que os pais possam atender as necessidades físicas e emocionais dos filhos.Precisam estar disponíveis para alimentar, proteger e acolher o filho também à noite. A criança precisa vivenciar que seus pais estarão sempre dispostos a protegê-la, mas que cada um tem o seu espaço na constituição familiar e que ela tem o seu quarto assim como os pais têm o deles.

É relativamente  comum que os filhos pequenos apareçam no meio da noite à procura de um cantinho na cama da mamãe e do papai. Geralmente isto ocorre entre os 2 e 5 anos.  Os pais podem se sentir tentados a permitir, seja por cansaço ou pena, Mas será que essa é uma atitude saudável?

Quando é permitido que os filhos permaneçam na cama de seus pais, contribui-se para que a criança venha a desenvolver características e conflitos  que podem marcar sua personalidade até na vida adulta Pode manter-se muito dependente da mãe, ciumenta e possessiva, ter dificuldades de obter autonomia e segurança e ainda interferir no seu posicionamento edípico na medida em que separa o casal ou faz casal com um dos pais. A cama dos pais  pode ser muito agradável e acolhedora, especialmente em manhas nos finais de semana, á tardinha para ver um filme juntos,  mas se constitui em uma perigosa armadilha na formação do desejo sexual e da personalidade da criança. Ela deve ser levada a perceber que a cama é do casal e que ela não deve dormir com eles. É um corte, uma lei, que ao mesmo tempo que legitima e fortalece a relação do casal, ajuda a criança a se desligar da mãe  com quem ainda está  tendo um vinculo muito intenso e simbiótico.

Essas  técnicas,  contudo, podem não funcionar  se seu filho tem dificuldades para dormir devido a algum problema emocional : angustias, medos e ansiedades.  Reflitam sobre o ambiente familiar para ver se conseguem perceber a origem da ansiedade da criança.   Nascimento de um irmão, mudança de escola,  cenas de violência na TV, discussão em casa,   mudanças no tempo de convívio com os pais, viagens,  são algumas das situações que podem  angustiar a criança e repercutir no sono dela.

É importante garantir a privacidade e a  intimidade do casal . A presença de crianças junto aos  pais,  no mesmo quarto, ou na mesma  cama , o entrar  no quarto a qualquer momento , interferem muito e negativamente no relacionamento sexual dos pais. A falta de intimidade afeta o relacionamento do casal. É lógico , que nenhum casamento se desfaz por enfraquecimento temporário da vida sexual do casal que devia estar preparado para essa fase nos primeiros meses de vida de uma criança. Contudo, a persistência dos  transtornos de sono e alterações na dinâmica familiar  mostra a necessidade de se buscar ajuda especializada para se compreender melhor o que está acontecendo com a criança e com a família.

Temos  constatado  na clínica , que muitas vezes a criança continua a dormir com os pais, não por uma necessidade imperiosa  manifesta por angustia  e medos. Neste caso, observa-se que é o casal ,  ou um dos conjuges que precisa da criança no seu  meio para  tampar o buraco, o  vazio que existe na convivência desse casal.

Filhos não existem nem devem vir  ao mundo para salvar  um casamento, fortalecê-lo ou dar-lhe um sentido. Contudo não são raras as situações em  que os pais, mesmo inconscientemente,  usam  a presença do filho na cama do casal como forma de evitar o confronto, o diálogo.

Muitas vezes a dificuldade em conciliar o sono na criança  é expressão  de  sua angústia . Ela pode não se sentir segura para enfrentar a separação e a regressão necessária para o sono , e sentir  um forte desamparo quando precisa enfrentar situações que estão além  de seu limiar de tolerância.  Quanto mais rapidamente essa criança receber assistência nesse estado de angustia, mais eficiente será a liberação das frustrações e medos dela decorrentes.

É difícil encontrar um substrato comum para os estados de apreensão e medo infantis, a não ser o desamparo universalmente experimentado por todos os seres humanos frente aos perigos da própria vida e que têm suas origens muito arcaicas no inconsciente coletivo ( Adrados1980)  O medo mais intenso que uma criança experimenta quando ainda muito nova é o da separação da mãe..

Outra fonte comum de angústia nas crianças é a repressão de sentimentos hostis  principalmente em relação aos pais.  A agressividade reprimida seja ela dirigida aos pais, irmãos ou familiares é a causa mais freqüente  de angustia que  costuma vir  acompanhada de sentimento de culpa.

Nesse caso,  o importante é sanar a causa que motiva a angustia, para que ela não se cronifique e venha a irromper mais tarde sob a forma de sintomas ou seja  sob a forma de uma neurose

Referencias

Estivill, Eduard e Béjara Sylvia  Nana, nenê  como resolver o problema da insôonia do seu filho  Ed Martins Fontes, 2006

Marcelli, Daniel e Cohen Davi   Infancia e psicopatologia  Ed artes medicas ,2009

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s