Se você quer ser um bom pai, seja um bom esposo

O psicoterapeuta e filósofo Piero Ferruci, em seu livro “O que as crianças nos ensinam”, confessa: “Precisei de tempo, mas no final percebi que a relação com meus filhos depende da minha relação com minha esposa. Não posso me relacionar bem com eles se não me relaciono bem com ela”.

A experiência clínica de Ferruci demonstrou que “cada ser humano é o resultado da relação entre dois indivíduos: seu pai e sua mãe. E essa relação continua vivendo dentro de nós como uma harmonia belíssima ou como uma laceração dolorosa”.

A conclusão disso parece clara: se você quer ser um bom pai, seja um grande marido. Se quer ser uma boa mãe, seja uma grande companheira para o seu esposo.

Isso parece simples, mas, na prática, não é. Por quê?

Precisamente porque nos acomodamos e abandonamos a relação conjugal à sua própria sorte. Com o tempo, vão surgindo os descontentamentos, incômodos, recriminações.

Quando um casal reage a tempo e recupera o lado belo do seu amor, os primeiros a perceber isso são os filhos.

Mas como manter e melhorar constantemente a relação conjugal? Este autor italiano é um grande romântico e acredita que a fonte do amor para os esposos radica na lembrança dos seus melhores momentos.

“Ao contrário do que muitos pensam, acho que o fato de apaixonar-se é o instante mais autêntico da relação entre duas pessoas; é quando veem que todas as possibilidades se abrem diante delas, quando tocam a essência e beleza do amor”, explica.

“Diante dos olhos da minha mente, desfilam nossos momentos mais luminosos: o primeiro passeio juntos, a decisão de nos casarmos naquela tarde de setembro, o dia em que ela foi me buscar no aeroporto em um dia chuvoso, o concerto durante a gravidez do nosso filho…”, recorda.

Tudo isso é a origem, a fonte: o lugar em que tudo vai bem e é perfeito. É positivo voltar de vez em quando às origens e beber daquela fonte de água pura.

Que tal tentar fazer o mesmo?
sources: pildorasdefe.net

Deparei-me com essa postagem no facebook e quis colocá-la aqui , para reter o tema e a possibilidade de conversarmos sobre isso.  Partilho dessa opinião e estou sempre repetindo para pais que me procuram: ‘ não tem como ser uma boa mãe sem se sentir  amada como mulher’ ,   Sem o amor do homem, sem a demanda e o desejo deste em relação a ela,  mulher, a mãe corre o risco de prender-se exclusivamente a sua relação com o filho e colocÁ-lo em um lugar que não é o dele .  O melhor que um pai tem a fazer por um filho é ser o companheiro da mulher, aquele que está ao lado da mãe e que a requisita como mulher, que a ama e a deseja.

Uma mulher não precisa apenas do homem como pai de seus filhos.Ela precisa do homem  enquanto amante, companheiro, parceiro. Espera desse homem um  desejo ardente, precisa sentir-se especial para ele e se frustra ao encontrar nele apenas o pai de seus filhos ,mesmo que seja um bom pai. A mulher precisa do homem, do companheiro para conseguir romper com o vínculo simbiótico que estabelece com o bebê;

A condição e função materna é particularmente espinhosa em nossa sociedade e é uma relação definitiva Uma vez mãe, sempre mãe. É  um caminho sem volta. Mãe boa, suficientemente  boa, excessivamente boa, abandônica, sufocante,  mãe  má , mas mãe, sempre mãe.;

Maternidade deveria pressupor antes  ser mulher/amante/ esposa, pois o filho é fruto de um vínculo ou deveria sê-lo; .  Sei que estamos  em uma época onde o papel desse pai tem sido menosprezado e até dispensado Época de fecundação in vitro, bancos de esperma, barriga de aluguel.

Aumentam-se as chances de um maior número de mulheres tornarem-se mães ; mesmo sem ter de investir primeiro na formação de um vínculo  com um homem. Pode não existir o ideal, mas existe o natural que se apoia no biológico: ,  Um filho precisa de pai e mãe e não apenas de um desses , e  nunca um sòzinho,  pode suprir totalmente  o papel e a falta do outro. Uma mãe sem marido, tende a manter  uma relação muito exclusiva com o filho, guardando-o só  para si , Vive em função dele e isso comprometerá  o desenvolvimento emocional  da criança .A manutenção  dessa relação exclusivamente dual com o filho, muitas vezes como substituto do cônjugue, interfere negativamente no desenvolvimento psicossexual do filho (a).

Se uma mãe quer ser boa mãe, deve primeiro encontrar o seu próprio caminho, seu  desejo, seu projeto, aquele que lhe dê prazer e que a faça feliz  e aísim, poderá ser  uma melhor mãe .Muitas vezes a mãe não requisita o homem para que ocupe seu  lugar ao lado dela e este  por seus motivos pessoais e historia de vida, fica passivo e à parte. Dessa forma o papel do pai fica em declínio , como algo insuficiente ou dispensável. Creio que essa posição traz muitas  dificuldades ao desenvolvimento psicossexual da criança e para suas identificações;  A mãe não deve negar ao filho a verdade do seu desej:  tem necessidade do homem assim como as crianças têm sempre necessidade do pai ( aquele que completa a mãe, que faz parceria com ela  )

Um pai  afetuoso , amoroso, que consegue colocar-se em segundo plano quando surge um bebê  na família  e que ajuda a mãe a  ser mãe, –  uma boa mãe, – permitirá a uma jovem e insegura mãe , que supere  suas primeiras dificuldades para ser mãe, e consiga sentir se reconhecida e apreciada por seu papel materno. O pai só pode desempenhar  seu papel de pai, igualmente  insubstituível . se a mãe o  introduzir junto a criança , deixando  um  espaço para a sua palavra , para sua função  paterna.

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Conversas de Mulheres

Acho muito importante compartilhar com outras mulheres, anseios, dúvidas, questionamentos. Cada um de nós traz dentro de si tantas palavras abortadas, retidas, indizíveis,  e também tantos sonhos, tantos receios. É preciso falar, ouvir, refletir, debater  e criar canais para que esses sussurros internos possam se transformar em ações, em expressões do nosso ser.

O que quer a mulher?  O que pensa? como conciliar papéis tão distintos e sair-se bem em cada um? isso é possível?  como ser mulher, companheira, mãe, profissional?  Como funciona a sexualidade feminina?  A mulher  é apenas emoção, intuição, enquanto o homem é razão? que preço estamos pagando pelas mudanças  ocorridas na sociedade( econômico, cultural)  e quais as  implicações na dimensão do ser mulher? Quais as repercussões da mudança do papel social da mulher na organização familiar? Podemos ser femininas, até frágeis em uma relação sem perder nossa dignidade e autonomia?

São muitas e varias questões e a mulher – esse enigma- discutida e temida desde a Idade Média, só recentemente passou a falar de si.

Minha proposta é abrir aqui neste espaço, uma oportunidade para nós mulheres  conversarmos. Isso mesmo.Aqui podemos discutir, debater temas de nosso interesse, questionar, falar de nós mesmas, de nossas angustias, medos, duvidas mas também das descobertas, dos prazeres.  Acho que quando compartilhamos nossas experiências , podemos nos compreender melhor, consolidar nossa identidade e participar da sociedade , ainda predominantemente  masculina, como um Ser mulher, livre, não oprimida, conhecedora de si e feminina.

Somos mulheres, femininas, vaidosas, queremos falar dos homens e com os homens, queremos conquistar e ser conquistadas, encontrar um rei para ser rainha, amar e ser amadas, trabalhar, ganhar dinheiro, viajar, casar, descasar ou permanecer solteiras, ter ou não ter filhos. Queremos dirigir nossas vidas, ser reconhecidas, valorizadas, nos aprimorar profissional e pessoalmente. Contudo, o que fazemos para e por nós mesmas? Como somos dirigidas nessas escolhas? como é o nosso relacionamento com os outros, parceiros, colegas, homens, e com as outras mulheres?

Precisamos discutir  e começar a achar respostas para nossas questões principais. Minha expectativa  é que vocês amigas, colegas, companheiras,  contribuam trazendo suas questões, postando textos, fragmentos de poesias, livros, filmes, e através desse diálogo, possamos nos voltar para dentro de nós mesmas e ouvir uma historia contada com nossas vozes interiores objetivando transmiti-las para o mundo. Esperamos que a reflexão e as discussões aqui iniciadas, sejam um estímulo para a ação, a reinvenção, e que cada uma descubra dentro de si, seu desejo, sua força, seu erotismo e seu potencial de mor.

E no mais, que nosso encontro  e andanças sejam prazerosas  e que a parceria seja fecunda.

Cuidado!! Vamos combater a obesidade infantil

Cuidado!! Vamos combater a obesidade infantil

O aumento da obesidade na infância é fato comprovado pelas estatísticas oficiais e é extremamente preocupante pelas conseqüências médicas e psicológicas em curto e longo prazo. A probabilidade de uma criança com pais magros ser obesa é de cerca de 9% . Se um deles for obeso a possibilidade aumenta para 50% ,saltando para 80% quando ambos são obesos. Uma criança obesa tem até 80% de probabilidade de se tornar um adulto com peso excessivo.
A melhora da condição de renda de grande parte da população não significou uma melhora na alimentação Com um maior acesso aos gêneros alimentícios, as pessoas acabam consumindo produtos industrializados com alto nível de sódio, açúcar e gordura saturada .Por outro lado os produtos naturais, orgânicos e mesmo a linha light tem um custo elevado podendo ser consumidos por apenas uma pequena parcela de famílias das classes alta e média superior.
Vários estudos já demonstraram que crianças e adolescentes obesos têm maior probabilidade de se tornarem adultos obesos e logo com tendência a doenças cardiovasculares e longevidade reduzida.
A obesidade infantil está ligada a uma maior probabilidade do desenvolvimento de níveis elevados de insulina, fator de risco para o desenvolvimento potencial do diabetes tipo 2 e a alterações do colesterol (diminuição do HDL e aumento do LDL) e triglicerídeos, o que pode levar a futuras complicações de saúde. Hipertensão, alterações ortopédicas, pressóricas, respiratórias, dermatológicas e hormonais são outros problemas que podem surgir associados à obesidade infantil, e é bom lembrar que 80% dos obesos adultos já o eram antes dos 18 anos.
Existe um consenso entre a maioria destes estudos apontando um imbricamento de fatores genéticos e ambientais. Por outro lado, a quase totalidade dos casos de obesidade não têm causas hormonais sendo explicados por alterações emocionais, culturais, regulatórias e metabólicas.
. A obesidade infantil pode ter causas endógenas ( problemas orgânicos: doenças genéticas, endócrino-metabólicas) mas a maioria dos casos tem causas exógenas que surgem em função de uma nutrição inadequada, do sedentarismo e de problemas emocionais. Estudos recentes estão demonstrando que a maioria das crianças brasileiras com sobrepeso não possui nenhuma doença capaz de gerar obesidade, mas um modo de vida que as predispõe a isso, como a influencia da mídia na alimentação, acesso fácil a comidas do tipo Fast Food, salgadinhos industrializados, doces confeitados, chocolates, alimentos de preparo instantâneo, pães, enlatados, frituras e alimentos com excesso de gordura. O índice de crianças gordas com algum problema glandular é irrelevante. Grande parte das crianças e adolescentes obesos consome uma dieta com muito mais calorias do que necessita e consegue gastar. A obesidade infantil reflete a mudança de hábitos alimentares: cada vez crianças ingerem mais gordura e menos fibras.e se exercitam menos , com mais horas na frente da televisão e/ou do computador.
Com as mudanças ocorridas na sociedade, e na família,e a inserção da mulher no mercado de trabalho. reduziu-se muito o nível de freqüência e de participação dos pais no lar.Estudos mostram que a criança que tem por hábito sentar-se à mesa com os pais para as refeições, alimenta-se melhor e está menos predisposta ao excesso de peso.Este dado é relevante e preocupante em uma época em que os pais, envolvidos com a luta pela sobrevivência em um mundo cada vez mais competitivo, diminuem enormemente o tempo de convívio familiar. Sem tempo, muitas vezes,, até para almoçar em casa, as mães não acompanham nem preparam a refeiçao dos filhos nem conseguem estimular os filhos para uma alimentação saudável, seja observando , dando exemplos ou controlando. . Na correria do cotidiano, tendo mil tarefas domésticas e de trabalho, muitas mães acabam substituindo algumas refeições da semana por fast foods , pizzas, massas de fácil e rápido preparo.
O consumo das guloseimas é facilitado pelo preço das marcas e pela variedade e disponibilidade no mercado. Para os pais que trabalham o dia todo é mais fácil dar salgadinhos e um refrigerante do que cozinhar para seu filho. “A praticidade é tentadora”.
.Outro fator que contribui para esta crescente prevalência de sobrepeso e obesidade é a diminuição de atividade física dos jovens, com mais horas na frente da televisão e/ou do computador e jogos eletrônicos, celulares etc.. Pode-se concluir com este estudo que as crianças estão cada vez mais expostas às propagandas na TV devido aos valores culturais e sociais da atualidade. Neste caso os anunciantes dos segmentos alimentícios, aproveitam a oportunidade para expor seus produtos induzindo, por meio de atrativos promocionais, o público infantil, a consumir determinados alimentos, ocasionando problemas de saúde como a obesidade .
A exposição das crianças e adolescentes às modernas mídias afeta suas escolhas e pode ter forte influencia na tendência ao aumento de peso /obesidade . Os anúncios na TV podem , em especial, afetar o tipo de nutrição que as crianças deveriam ter, fazendo-as optar por alimentos como petiscos e doces ..Grande parte dos anúncios dirigidos ao publico infantil privilegiam alimentos ,ricos em gordura ao invés de fibras e outros nutrientes essenciais. Os jovens são mais vulneráveis às promoções comerciais porque ainda não tem habilidade para compreender a diferença entre informação e propaganda.
Na obesidade exógena a dinâmica ambiental familiar em indivíduos geneticamente predispostos representa a maior parte dos casos e tem como características: o excesso de ingestão alimentar, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, relações psicoafetivas e familiares inadequadas, conflitos, desmame precoce e introdução inadequada de alimentos pós-desmame. No adolescente, somam-se a estes fatores, todas as alterações desse período de transição com as alterações metabólicas e afetivas conseqüentes, a baixa auto-estima, o sedentarismo, a substituição das refeições por lanches mal balanceados, a velocidade das refeições, o consumo excessivo de doces e guloseimas e a suscetibilidade à propaganda consumista (Campos,2003)[1]
Do ponto de vista psicológico, seja como causa ou como conseqüência, a obesidade aparece ligada a carências afetivas, dificuldades e patologias nos laços afetivos, perda da auto-estima, isolamento social, sentimentos de inferioridade, irritabilidade, depressão, dificuldades no manejo e na expressão dos sentimentos afetivos e agressivos comprometendo seriamente a adaptação sócio-emocional.
Quando a criança começa a engordar, sente-se diferente de seus colegas de grupo.Sofre por ser rejeitada, desprezada, desprezada, objeto de piadas ,vítima de bullyng , o que a faz se sentir desvalorizada socialmente. Na atualidade, gordura não é mais considerada sinal de força nem de beleza. É freqüente que crianças gordas rejeitem atividades físicas, resistam em participar de esportes para evitar expor o corpo ou então por não conseguirem ter o mesmo desempenho dos colegas. Na puberdade e adolescência, podem evitar festas e atividades sociais porque se acham diferentes e não se sentem bem com o próprio corpo; tudo isto faz com que elas se afastem do convívio com os amigos. Acnes, assaduras, brotoejas e outros problemas de pele são mais freqüentes em obesos, o que tende a aumentar os problemas emocionais dos adolescentes.
O aspecto familiar também pode acentuar o problema. Erroneamente, o ganho de peso muitas vezes é estimulado nos primeiros anos de vida. Os pais têm a idéia de que um bebê gordinho e cheio de dobrinhas é sinal de saúde. Ledo engano. Criança saudável é aquela que está dentro do seu peso normal e tem uma alimentação equilibrada. Muitas vezes, mesmo a mãe que se orgulhava da robustez de seu bebe ou de seu filho de três, quatro, cinco anos, por volta dos nove, 10 anos já começa a se preocupar, tenta restringir os alimentos, passa a advertir continuamente a criança e mesmo a repreendê-la, chamando-a de gorda.
As nossas crianças de classe média são extremamente sedentárias. Residem em apartamentos com pouca área, não caminham e são levadas de transporte motorizado para a escola e para as outras atividades extra classe.O de atividade recreativa dentro da escola também é reduzido. As crianças de níveis mais altos são privilegiadas pois moram em grandes condomínios, que possuem ótimas áreas de lazer tornando possível a pratica de esporte e atividade física diária praticadas comunitariamente
As modificações ocorridas na sociedade transformaram as relações materno filiais e o conseqüente estabelecimento dos vínculos construídos em grande parte a partir dos cuidados com a alimentação do bebê humano Essas alterações freqüentemente se manifestam pela fixação em prazeres orais, pela busca de compensação do vazio e da solidão, através do alimento. Sozinhas, estas crianças talvez encontrem no alimento uma única forma de satisfação oral e primitiva de que tanto necessitam. A voracidade de algumas crianças, a gula, são muitas vezes expressões de conflitos e incompletudes vivenciados nas suas primeiras relações objetais, onde pode ter havido falta de contato e excesso de alimentação.
É fundamental propiciar à criança uma alimentação rica e balanceada, diminuindo a quantidade de alimentos gordurosos, como doces, frituras, refrigerantes, e incluir na dieta alimentos mais nutritivos, como frutas, verduras e carnes de aves. Mas esse primeiro passo não é simples; precisa não só da supervisão dos pais, mas também de seus exemplos,estímulos e controle.
Uma criança que está triste e solitária, sem estímulos afetivos suficientes, tende a compensar essas carências ingerindo alimentos como doces, biscoitos, guloseimas e frituras. A obesidade tem uma etiologia multifatorial e não pode ser abordada por intervenções isoladas, sem planejamento e continuidade.
A criança deveria, ser estimulada, ainda cedo, (por volta dos quatro anos) a desenvolver alguma pratica esportiva. Muitas crianças necessitarão de um estimulo adicional e de um acompanhamento mais de perto para serem iniciadas e sentirem prazer com as atividades físicas. Não basta a disponibilidade dos pais de arcarem economicamente com a atividade e a condução das crianças. Elas necessitam da presença, interesse e do estimulo deles. A atividade física é fundamental à manutenção do peso das crianças e não depende apenas da pratica de esportes, mas, também das atividades físicas embutidas em um estilo de vida cotidiana mais autônomo e participativo. Este comportamento propicia às crianças cuidarem de si, a cooperarem nas tarefas domésticas e a zelar pelos seus pertences. A participação dos próprios pais na atividade física, como forma de apoio e modelo a ser seguido, é imprescindível na criação de hábitos regulares de movimentação física,. Assim, é preciso que a família, prazerosamente, planeje atividades familiares movimentadas como caminhadas, natação, passeios de bicicleta, jogos com bola, e mesmo maratonas de limpeza domestica.
Como os filhos não são pacotes, nosso papel não é embrulhá-los e remetê-los, simplesmente, para as diversas atividades de sua agenda, comumente lotada. As crianças que já têm algum excesso de peso, algo gordinhas, em geral, terão maior preguiça, cansaço, e menos disposição para a pratica de exercícios, resultantes desse excesso, à falta de hábito e de condicionamento, ou mesmo ao tipo de dieta alimentar que recebe. A comida, muitas vezes, torna-se para as crianças, uma companheira, uma fonte de prazer, sempre disponível. É importante, pois, estarmos atentos aos aspectos psicológicos e relacionais, recuperando a convivência com elas, melhorando o diálogo, para compreendermos os motivos de sua voracidade, de sua obesidade, de sua carência, de seu descontrole alimentar ou de sua inércia e inatividade.
Nos anos que precedem a adolescência ocorrem muitas mudanças corporais, sociais e psicológicas que podem favorecer o ganho de peso. É comum , nessa fase que a criança substitua refeições, comendo salgadinhos e beliscando o dia todo. Substituem o almoço por biscoitos e refrigerantes , exageram nos doces e experimentam todo tipo de novidades anunciadas pela TV .
Muitos pais costumam negar que seus filhos estão engordando, minimizando as dificuldades apresentadas. Não se iluda .Compare seu filho com os colegas de classe: ele está mais gordo ou é só mais desenvolvido ? Converse com o pediatra, veja a opinião dele.Percebe se ele está se cansando mais facilmente do que os amigos quando pratica atividade física ou se está evitando fazê-la? Lambisca muito entre as refeições? A alimentação de seus filhos é pobre em verduras, legumes, frutas, e rica em doces, chocolates, massas, frituras, refrigerantes e salgadinhos?
Existem pais que se preocupam, às vezes até excessivamente, com o aspecto físico dos filhos ( em especial das filhas ).Têm pavor da obesidade e passam para os filhos uma preocupação e uma ansiedade em relação a sua imagem corporal mas não os orientam e educam para ter uma melhor qualidade de vida.
Temos encontrado na clinica, púberes e adolescentes, excessivamente preocupados com o engordar, mas, que por não receberem um real apoio familiar, seguem orientações de revistas, sites na internet, chats com outros adolescentes, seguindo normas fornecidas por outras pessoas. Tais procedimentos, que incluem dietas desequilibradas, em termos de macronutrientes ou excessivamente restritivas, prometem a perda mágica de peso, além de sugerirem substituição de refeições por alimentos líquidos, sopas e shakes, que podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares como anorexia e bulimia.

[1] Campos, Alba Lucia Reyes . Aspectos psicológicos da obesidade , IN: Fisberg, M . Atualização em obesidade na infância e adolescência, Ed Atheneu, 2003.

a importância da educaçao afetiva na escola

Enquanto os pais nao tiverem outras expectativas e cobranças da escola, enquando os pais acharem que a melhor educaçao é aquela que prepara o jovem para ter sucesso  financeiro, passar em seleçoes competitivas, etc nao podemos esperar mudanças na educação básica dos alunos. Isso é triste pois  essa educaçao abrange os anos formadores da personalidade, do caráter da pessoa, e é quando precisariamos não  que nossas crianças aprendessem  tantos conteudos diversos, mas que aprendesse, em especial, a SER , na relação com os outros, desenvolvendo valores  e  tornando-se capaz de viver em sociedade com solidariedade.  Criticamos muitas vezes as escolas, mas elas correspondem às expectativas dos pais.  A educação familiar e escolar nao pode se voltar apenas para os aspectos cognitivos  mas deve se preocupar com a formaçao de seres  realmente humanos.

O afeto é o principal motor para possibilitar o desenvolvimento global de uma criança, deveria ser a principal ferramenta dos professores.  Com essa idéia de que é necessário conter os alunos, fazê-los mais submissos e passíveis para escutar professores e incorporar conteúdos, a escola está perdendo seu foco principal;

Certo que os alunos hoje chegam na escola sem ter incorporado noções de limites, leis, sem condições de socialização  e para muitas crianças é a primeira vez que recebem limites, ordens e lhe é exigido respeito para com as  outras pessoas.Mas essa função educadora básica  teria de ser da  família.

Sabemos que a família não está dando conta dessa tarefa e acredito ter uma demanda para que a escola tome para si algum trabalho de orientaçao aos pais para que se fortaleçam e consigam amar seus filhos mas preparando-os para a vida, ou seja exigindo  que cumpram regras , desempenhem tarefas no lar. Os pais precisam parar de se culpabilizar e perder o  medo de educar, frustrar, limitar , conter seus filhos, com firmeza e com afeto.

Talvez pela dificuldade de controlar uma sala com 20, 30 crianças ainda nao socializadas muitos professores estão caminhando para um  perfil muito  autoritário, e opressor . Provocam  nos alunos, medo e preocupação em corresponder às expectativas dos professores . Não se orienta, pelo prazer das descobertas, do aprender, com liberdade para ser, falar, se expressar, questionar , sem temer repreensões.  Muitos professores hoje só conseguem  a produtividade dos alunos com base em punições. perda de consideração afetiva e de elogios,  conversas com a orientadora, castigos sob a  forma de sair da sala de aula , etc

Se esse tema te interessa vamos conversar mais sobre ele.

” Meu filho faz xixi na cama” . O que fazer ?

Enurese é o termo que se refere ao ato de molhar a cama durante o sono após a idade considerada normal para se obter o controle do esfíncter vesical . Muitos médicos adotam a idade de 5 anos como limite para que essa “ incontinência “ seja considerada fisiológica. O certo é que a grande maioria das crianças obtém o controle vesical diurno antes dos dois anos e meio e o noturno ate os três anos e meio.
Não se deve confundir a enurese com incontinência urinária de origem orgânica que, normalmente, se segue a alguma infecção do trato urinário ou, mais gravemente, em problemas neurológicos.
Deve-se consultar um médico se:
– surgir alteração na freqüência das micções ou na quantidade de urina produzida durante o dia.
– a criança acusar dor, ardor , dificuldade ao urinar ou se a urina apresenta cor turva, rosada e mau odor. Presença de sangue na roupa íntima também merece atenção.
– o jacto miccional for fino ou apresenta pequenas perdas de urina pós micção.
– houver perdas diurnas de urina, exceto se originadas de retenção voluntária, por parte da criança, durante a prática de esportes, ou quando estiver diante da TV por muito tempo .
– acontecer alteração súbita da personalidade ou do humor.
Mesmo que tenhamos dados que nos levem a pensar que a enurese de uma criança é psicológica, é importante que se faça uma visita ao pediatra para afastar qualquer possibilidade de algum comprometimento orgânico.( diabetes, bexiga neurogênica , infecções etc. )
É fundamental relembrar que a enurese é involuntária; assim, a criança não deve ser castigada ou culpabilizada. Um ambiente de ansiedade ou de rigor excessivo resultante desse problema pode tornar mais difícil a superação .
A grande maioria dos casos de enurese são de origem psíquica, seja como sintoma neurótico, psicossomático ou mesmo distúrbio reativo.
Muitos pais resistem em levar a criança ao médico ou psicólogo porque eles também foram enuréticos e consideram que é normal que os seus filhos também o sejam. Desconhecem no entanto, que existem tratamentos eficazes, para o caso . Muitas crianças podem se tornar tímidas e inseguras devido à enurese pois receiam dormir na casa de outras pessoas, ou temem receber visitas, com medo de que elas percebam “ seu problema”.
Se um dos pais foi enurético, a chance do seu filho apresentar o mesmo problema é de 44%. Se pai e mãe apresentaram enurese na infância, a chance aumenta para 75%. As causas da enurese originam-se de problemas hormonais, alterações anatômicas,alterações urológicas , alterações neurológicas, musculares, infecciosas ou psicológicas. A grande maioria do casos de enurese são de origem psíquica. como sintoma neurótico, psicossomático ou mesmo distúrbio reativo. A enurese noturna acomete mais meninos do que meninas.
Crianças sem nenhuma patologia estruturada podem, contudo, apresentar enurese após os quatro, cinco anos de idade e até mais, por múltiplas causas como :

 hereditariedade: existe uma história familiar de enurese num familiar/manifestação psicossomática
 maior produção de urina durante a noite devida à ingestão de líquidos antes de se deitar, ou durante a noite através das mamadeiras noturnas , por exemplo;
 ser incapaz de acordar com a vontade de urinar;
 problemas psicológicos. Como exemplo , podemos enumerar o stress da criança por conflitos familiares ou escolares, os ciúmes pelo nascimento do irmão, a agressividade, a depressão, as inter-relações familiares e o desenvolvimento psicoafetivo.

Como ajudar a criança na obtenção desse controle?

O primeiro passo é observarmos o ambiente e as atitudes familiares,já que a enurese é quase sempre sinal de deficiente adaptação emocional perante dificuldades ambientais, o que leva a criança a regredir ansiosamente para as primeiras fases da infância. Que dificuldades afetivas a criança pode estar enfrentando? houve o nascimento de um irmão? o casal está passando por uma fase conflitiva ou se separou
? Como foi feito o treinamento do esfíncter ? A criança foi condicionada precocemente ao uso do pinico? Houve um excesso de disciplina e exigências ou ocorreu demasiada tolerância? A criança apresenta outras imaturidades e problemas emocionais como tiques, dificuldades alimentares ou distúrbios do sono?
Com base nas respostas a esses questionamentos pode ser elaborada a primeira abordagem motivacional e corretiva do problema. Através de entrevistas familiares podemos orientar como abordar a questão com a criança e o modo como os pais devem se portar diante do descontrole vesical .
No caso de excesso de tolerância ou de perda do controle obtido por condicionamento , antes que a criança estivesse madura para isso, a conduta adequada seria uma reeducação planejada,
A criança deve ser informada sobre o funcionamento urinário e o “sintoma” deve ser desmistificado para que a ela não se sinta vitima submissa e culpada.

Pontos importantes na reeducação :

 Ofereça à criança uma recompensa nas noites secas e também aos mínimos avanços (acordar seco após a sesta ou noite; acordar para urinar ) O método de estimular mediante prêmios pode dar bons resultados
 Dizer à criança que ela já não é um bebê, que cresceu e pode mandar no seu xixi. ..
 Confeccione e mostre à criança um calendário em que são desenhados sóis nas vezes que ela acorda seca . Caso não surja logo efeito, abandone o método. .
 Não deixe a criança sentir-se culpada. Quando ela acordar molhada , explique que é uma situação transitória e que isso acontece também, com outras crianças .
 Use um protetor de colchão por baixo dos lençóis ou um protetor absorvente por cima deles. Evitará incômodos e maus odores.
 Chame seu filho para ajudá-la a mudar a roupa da cama molhada, não como um castigo, mas para que ele aprenda a cuidar de si.
 Estabeleça uma regra familiar que proíba qualquer tipo d gozação . Ao mesmo tempo, mostre à criança que o xixi é dela e que ela é capaz de controlá-lo pois já tem idade para isso .
 Não encorajar o uso de fraldas;
 Mostre à criança que é preciso que ela vá ao banheiro antes de se deitar e que deve evitar ingerir grandes quantidades de líquidos à noite .
 Despertar a criança, poucos horas depois de ela ter adormecido, para que faça xixi, nem sempre dá bom resultado

As crianças menores que molham a cama , apenas algumas vezes na semana , são as que têm maior probabilidade de se curar espontaneamente ou através do calendário já citado .
A reeducação deve ser administrada por um prazo curto , ou seja, entre um e três meses . Ao fim desse tempo espera-se a remissão do sintoma. A tendência hoje é de consultar algum especialista médico e/ou psicólogo , se o problema persistir após os 4 anos e 6 meses de idade.
Em alguns casos, tratando-se de crianças maiores de 7 anos, e diante de uma certa urgência em resolver o problema, alguns especialistas recomendam o uso de medicamentos . O pediatra é quem deve avaliar e concluir pela necessidade do uso de um antidepressivo como Tofranil ou Desmopressina,

TRATAMENTOS

Antes de um possível tratamento é necessário diagnosticar o problema para verificar se a enurese é decorrente de algum distúrbio orgânico, conseqüência de imaturidade neurológica, ou se a causa é psicogênica.( traumática? Primária e em geral psicossomática ou secundária , neurótica? )

Existem varias linhas de tratamento e cada uma pode ser eficaz para casos específicos. Assim é preciso estudar a criança como um todo, inserida no seu contexto ambiental e familiar. Quando o contexto neurótico está em primeiro plano ou se há prevalência dos determinantes psicológicos, é aconselhável procurar um psicólogo para uma terapia de abordagem cognitiva ou analítica .

Abordagem cognitiva
A abordagem cognitiva/comportamental da enurese , que deve ser conduzida por um especialista , pode ser eficaz no tratamento da enurese, mas exige esforço e colaboração por parte da criança e da família .
O tratamento com alarme (dispositivo que apita ou vibra com as primeiras perdas de urina quando a criança dorme ) é o mais eficaz . Existem aparelhos como o “alarme de cabeceira”que consistem num “tapete” com sensores de urina conectados a uma caixa de alarme. Ao dormir, a criança liga o aparelho, que é acionado por uma bateria que detectando a umidade da urina faz com que ela desperte. No início, ela acorda quando já está fazendo xixi na cama podendo terminar de fazê-lo no banheiro. Com esse método ela aprende a contrair os músculos e depois de algum tempo ela se condiciona a levantar antes que o aparelho seja acionado. Os estudos mostram que, a partir daí , ela começa a produzir mais hormônio deixando de fazer xixi na cama. Há também tratamentos com hormônios sintéticos, mas quando a criança deixa de tomá-lo, na maioria das vezes, o problema volta.

A manutenção da motivação da criança durante o período de qualquer tratamento é fundamental e deve ser acompanhada por um profissional.

Abordagem analítica

A enurese é, talvez, um dos principais sintomas utilizados pela criança para reclamar atenção e mostrar a necessidade de ajuda, ao refletir, de forma inconsciente, conflitos internos, angústia e depressão.
Em geral a maioria dos casos de enurese e encoprese( falta do controle sobre as fezes ) é resultante de problemas emocionais e orgânicos. Mesmo quando originário de causas orgânicas, predisposição genética , etc. “o fator psíquico está presente para dar significado a elas. A encoprese é mais preocupante e também mais rara do que a enurese acometendo mais os meninos.
Fatores como a ansiedade e o stress, dificuldades emocionais na criança decorrentes de conflitos familiares ( separação ou briga dos pais, ambiente violento, abandônico, nascimento de irmão ) podem estar na origem da enurese noturna. Alguns estudiosos consideram a enurese um sintoma “pulador” já que não está ligada a um só tipo de conflito podendo ser utilizado para expressar diversas necessidades e angustias ou seja, ter uma multiplicidade de sentidos.
As matérias fecais e, em menor grau, a urina veiculam uma forte carga afetiva, que pode ser positiva ou negativa, mas que permanece ligada ao corpo. A aquisição do controle dos esfíncteres ocorre ,primeiro, com o prazer da expulsão; depois na retenção e em seguida no par retenção/expulsão. A natureza do investimento nessa função dependerá muito do tipo de relação entre mãe e filho, do treinamento recebido , além do significado que tem para a família a higiene e o sujo . Muitas mães vigiam e controlam essa função. São muito exigentes com limpeza e, às vezes. chegam a treinar precocemente seus filhos devido a essas características. Passam para o filho a satisfação que sentem quando eles se enquadram na sua exigência . Como conseqüência, o controle autônomo, que deveria ser feito pela filho, não é obtido ficando ainda ligado na sua relação com a mãe com as possibilidades de agradá-la ou frustrá-la com seu xixi. A criança pode até obter o controle por condicionamento mas não adquirirá a autonomia .

A incapacidade da criança de conter a angústia faz com que ela não consiga controlar os esfíncteres deixando fluir, de uma forma simbólica , o que não consegue conter.Pais ansiosos contribuem para a ansiedade dos filhos. A enurese pode funcionar como forma de chamar atenção de uma mãe pouco atenta, ou de retaliação a pais autoritários, críticos ou muito exigentes. Crianças imaturas, ainda incapazes de lidar e gerenciar suas emoções, podem liberar suas angústias através do xixi..
Para a psicanálise, a enurese está relacionada com o sentido dado pela criança às relações de prazer e de desprazer na troca de afetos com as pessoas. Pode ser expressão de um prazer primário de funcionamento da fase anal ou uretral, indicar uma relação erotizada com os pais, ao modo do masoquismo erógeno ou moral, expressar uma afirmação do prazer fálico no menino ou de reivindicação na menina. Pode ainda ser um equivalente masturbatório , em sonhos em que se encontram figuradas uma cena primitiva com fantasias de castração ou sedução pelo adulto.
.A enurese é, como todo sintoma, uma forma de linguagem utilizada pela criança para comunicar que alguma coisa não está bem com ela. O xixi e o cocô externam muitos significados e as dificuldades relacionadas a eles podem ter origem anterior ou posterior ao período de retirada das fraldas. Em qualquer momento da vida da criança, esse descontrole dos esfíncteres pode aparecer. Os treinamentos muito severos, sem o carinho que esse procedimento merece costumam deixar seqüelas. Percebemos com freqüência que crianças enuréticas insistem em se manter num estágio regredido, incompatível com a sua idade cronológica. Em geral são crianças que não atingem o estágio de desenvolvimento psíquico próprio da idade e não conseguem se interessar por outras coisas nem se preparar adequadamente para novas aquisições.
É importante saber que, independentemente do tratamento utilizado, as vezes, são necessários vários meses para se tratar da enurese.
Em alguns casos, a criança enurética pode ” desaparecer ” com o sintoma, e isso ocorre por volta dos 11, 12 anos, quando já está entrando em outra fase do seu desenvolvimento psicosexual. Contudo é importante ressaltar que, nesse caso, a criança foi afetada em sua personalidade pela persistência desse sintoma por tantos anos.

AFINAL CRIANÇA FORA OU NA CAMA DOS PAIS??

AFINAL CRIANÇA FORA OU NA CAMA DOS PAIS??
Tenho visto muitos “posts” sobre o tema com opiniões diversas. Que tal começarmos uma conversa/debate sobre esse assunto tão importante ??
Cama compartilhada para pais e bebês ? Até que idade? Essa idéia é defendida por alguns especialistas que acreditam que essa proximidade mãe/filho facilita o aleitamento e o vínculo. Outros fazem críticas acaloradas. preocupados com a segurança física e psíquica da criança
Bem, defendo a idéia de que não existe uma conduta ideal, melhor e única e que a melhor conduta é aquela que se ajusta à situação das pessoas envolvidas. Com situação quero me referir a todo o contexto social, familiar, psicológico, condições materiais de existência etc. Minhas considerações serão feitas para um ambiente com todas essas condições satisfatórias. .
Não existem regras universais de como criar um filho. Cada família vive uma situação distinta e singular; Não podemos considerar uma educação melhor ou pior com base no uso da cama compartilhada ou não . O melhor arranjo de sono para uma família é o arranjo que possibilita que todos durmam melhor e que fiquem preservadas as condições saudáveis para uma boa relação mãe/ filho.  Já pensaram na situação de mães que criam os filhos em espaços mínimos onde não há um quarto só para os filhos? e para aquelas ocasiões onde um filho demanda cuidados especiais devido a problemas de saúde ocasionais ou crônicos?

Para muitas famílias arranjo certo pode não ser a cama familiar e sim o tradicional berço.O importante é que os pais possam atender as necessidades físicas e emocionais dos filhos.Precisam estar disponíveis para alimentar, proteger e acolher o filho também à noite.
Espera-se que os casais estejam preparados para se tornarem pais, e para a realidade de que não conseguirão por um tempo – que pode ser meses – , dormir como antes. Um dos preços a pagar para a feliz chegada de um filho é dormir pouco ou mesmo não dormir, nos primeiros meses.
A criança esteve por nove meses conectada à mãe pelo cordão umbilical, protegida e envolvida pelo líquido amniótico e pelas paredes do útero. Ela sentia essa conexão física que é rompida com o nascimento. Essa conexão tem de ser reelaborada através do contato físico com a mãe, ao ser carregada, amamentada, e envolvida . Crianças que ficam muito tempo no berço, que são pouco carregadas no colo, podem vivenciar ansiedades e frustrações pela perda dessa conexão em um período que ainda não tem recursos cognitivos para lidar com essa separação .
Assim que os pais chegam da maternidade com seu bebê a insegurança, os medos, a inexperiência fazem com que esses primeiros dias sejam muito tumultuados . Toda a rotina familiar se altera e é preciso adaptar-se a chegada do bebê.:
Para uma decisão quanto ao uso ou não da cama compartilhada os fatores mais importantes estão ligados à saúde dos pais, ritmo e qualidade do sono, horários necessários para o dormir e o despertar de acordo com os horários de trabalho etc., Quem deve decidir são os pais, que devem ouvir seus próprios instintos, Onde seu bebê dormirá melhor? Com os pais na cama, no berço em outro quarto, num berço no mesmo quarto, porém distante da cama dos pais, no berço no mesmo quarto junto à cama (como em um co-sleeper)? E onde você dorme melhor? Finalmente, onde você gostaria que seu bebê dormisse?
Um dos defensores da cama compartilhada descreve a rotina de um ciclo noturno diário com a chegada de um bebê e justifica a cama compartilhada com base na dificuldade de se adaptar a esse ciclo.:
1. bebê chora
2. pais acordam
3. buscar o bebê
4. bebê mama
5. colocar bebê para arrotar
6. trocar a fralda do bebê
7. colocar bebê para dormir
8. deita na cama para dormir por 30 minutos
• volte 8 casas e comece tudo de novo

Os pais ficam ansiosos, temem não estar fazendo o certo mas essa rotina pode se manter por meses. Quando pai ou mãe tem características pessoais e condições de trabalho que lhes fazem necessitar muito de uma boa noite de sono estes se sentirão péssimos, mal humorados e nervosos quando não puderem dormir o suficiente ou ter um sono entrecortado. Para esses pais é impossível manter esse ciclo diário e a tentativa acaba sendo exaustiva. Os pais se sentem inseguros, raivosos, frustrados, com sentimentos de impotência e fracasso, e exauridos fisicamente.

Os recém -nascidos apresentam ciclos que se repetem a cada três ou quatro horas, , e nesse período de tempo a criança acorda, é limpa, alimentada , dorme e assim sucessivamente. Isso seria o esperado, mas alguns recém- nascidos são anárquicos e não cumprem esse ritmo , acordando e dormindo a qualquer momento.
Nesses casos, a idéia do bebê no quarto dos pais pode amenizar os problemas dos primeiros meses do bebê. A decisão de trazer o filho para o quarto do casal é uma questão de praticidade e funcionalidade..
Mesmo que os pais continuem acordando para a amamentação com a cama compartilhada a situação é menos cansativa e os pais conseguem dormir com um pouco mais de qualidade, aumentando também a chance e a motivação para o aleitamento natural e favorecendo o vínculo emocional com o bebê..

Essa proximidade entre mãe /bebê mantém a conexão permitindo que a mãe esteja mais alerta e atenta ao seu bebê, podendo perceber rapidamente suas necessidades e identificar logo qualquer problema . Com a facilitação do bebê estar a seu lado muitas mães adotam nesses primeiros meses a amamentação em livre demanda, que pode ser vital para prematuros ou crianças com baixo peso, mas que não deve ser estimulada depois do primeiro trimestre de vida. Alguns especialistas atestam que a respiração e os batimentos cardíacos de mães e bebês entram em sincronia quando ambos dormem próximo, o que seria um fator de proteção para a morte súbita infantil..
A prática da cama compartilhada tem de ser praticada de forma segura.tanto emocionalmente como fisicamente e envolve inúmeros cuidados. Varias recomendações de segurança devem ser observadas como manter o quarto fresco, não usar almofadas ou cobertores, usar colchões firmes, vestir roupas sem cordões, prender os cabelos, não usar perfumes ou loções fortes, escolher uma cama co- sleeper ou um colchão do casal no chão, ou ainda manter o bebe entre a mãe e a parede.
Essa prática pode ser, no meu entender totalmente inadequada e envolver riscos para os bebês quando os pais se movimentam excessivamente, são obesos ou de constituição física e tamanho grande, rangem dente, têm apnéia e/ou roncos , são tabagistas e ou dormem alcoolizados ou por efeito de medicamentos.
Dentro de meus referenciais acredito que a situação da cama compartilhada só se tornaria sustentável nos primeiros meses e para casais com filho único. Ou seja concordo que alguma modalidade de cama/quarto compartilhado se faz necessária no início da vida e que é teoricamente mais saudável do que a prática atual da criança dormir no próprio quarto com uma enfermeira.
Concluindo, li, achei interessante vários depoimentos e posso entender que para alguma situação especifica possa ser a melhor escolha, mas não é a minha opinião e referência..
Tomei contato com vários testemunhos de mães, casais, terapeutas e médicos defendendo essa prática. Cada um deve pensar com a própria cabeça, encarar a realidade de seu casamento, de sua vida cotidiana e então escolher a forma mais apropriada para lidar com a educação dos filhos.
Deixo aqui algumas referencias que achei pesquisando na internet e usei nesse texto e que podem ser úteis para quem tiver interesse no tema.
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2013/06/cama-compartilhada-protecao-amor-e.html
Cama compartilhada: por que é bom e seguro? – Cientista Que Virou Mãe
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/03/cama-compartilhada-por-que-e-bom-e.html
Bedsharing and SIDS: The Whole Truth – Evolutionary Parenting
http://evolutionaryparenting.com/bedsharing-and-sids-the-whole-truth/
The Do’s and Don’ts of Co-Sleeping – Evolutionary Parenting
http://evolutionaryparenting.com/the-dos-and-donts-of-co-sleeping/
Via Paizinho, Vírgula! – http://paizinhovirgula.com/cama-compartilhada-os-5-grandes-mitos/
!2link: http://paizinhovirgula.com/garantindo-um-sono-seguro-fisica-e-emocionalmente-criacao-com-apego/

Agora minha postura: Penso de forma diferente. Não defendo a idéia da criança dormir na cama com os pais, afinal a cama foi feita para um casal ( e nem pensar do pai sair para deixar mãe/filho, afinal eles enquanto casal devem precisar um do outro ) e além de ser incômodo, corre-se o risco de machucar o bebê..
A criança precisa vivenciar que seus pais estarão sempre dispostos a protegê-la, mas que cada um tem o seu espaço na constituição familiar . Os pais demonstram de inúmeras maneiras o quanto se preocupam e amam aos filhos e podem ser seus melhores cuidadores e protetores, independente de onde eles durmam..

Quando uma criança acorda no meio da madrugada , ela se sente sozinha, desamparada e pode ter medo, assim, precisará se garantir da presença dos pais para se tranqüilizar, Se isso ocorre durante o treino do habito de sono, o recomendado seria voltar com o condicionamento, ficar um pouco ao lado da criança e logo sair. É relativamente comum que os filhos pequenos apareçam no meio da noite à procura de um cantinho na cama da mamãe e do papai. Geralmente isto ocorre entre os 2 e 5 anos. Os pais podem se sentir tentados a permitir, seja por cansaço ou pena, Mas será que essa é uma atitude saudável?Se a criança já tinha hábitos de sono e ocorre esse despertar é importante atende-la, perguntar o que ocorreu, e tentar tranqüilizá-la voltando com ela para o quarto. A criança deve ser acolhida carinhosamente por alguns minutos e, posteriormente ser levada de volta para a cama – mesmo que isto implique em fazer o trajeto várias vezes. Os pais não devem sucumbir deitando com a criança ou levando-a para dormir com o casal. Caso necessário, melhor seria ficar alguns minutos em uma cadeira a seu lado. Se a criança foi para seu quarto leve-a de volta tranquilamente e diga que lá não é o lugar para ela dormir, já que é o quarto do papai e da mamãe. Não se deve voltar ao quarto imediatamente assim que a criança chamar. Se chamar varias vezes na mesma noite, deve-se ir aumentando o tempo de espera para atender o seu chamado, sem nunca passar de cinco minutos, tempo que não deve ser ultrapassado para que a criança não se desespere e não se sinta abandonada.
Os sistemas que envolvem o medo e a angústia de separação tornam-se menos marcantes com o tempo, pelo desenvolvimento do cérebro que começa naturalmente a inibi-los. Quando as crianças compreendem que não há qualquer perigo, que os pais estão no quarto ao lado e que, se precisarem, virão ao seu encontro, são capazes de dormir sozinhas sem chorar e sem chamá-los.
Nessas situações podem ocorrer alterações no sono das crianças( dificuldade em conciliar o sono, resistência ao dormir, passar para o quarto dos pais ) e é importante que os pais possam atender as necessidades físicas e emocionais dos filhos. Precisam estar disponíveis para alimentar, proteger e acolher o filho também à noite. A criança precisa vivenciar que seus pais estarão sempre dispostos a protegê-la, mas que cada um tem o seu espaço na constituição familiar e que ela tem o seu quarto assim como os pais têm o deles.
Quando é permitido que os filhos permaneçam na cama de seus pais, contribui-se para que a criança venha a desenvolver características e conflitos que podem marcar sua personalidade até na vida adulta Pode manter-se muito dependente da mãe, ciumenta e possessiva, ter dificuldades de obter autonomia e segurança e ainda interferir no seu posicionamento edípico na medida em que separa o casal ou faz casal com um dos pais. Ao ocupar a cama dos pais, a criança ocupa outro lugar subjetivo na família que não é o dela e isso não é salutar para o seu desenvolvimento psicosexual ,

A cama dos pais pode ser muito agradável e acolhedora, especialmente em manhas nos finais de semana, á tardinha para ver um filme juntos, mas se constitui em uma perigosa armadilha na formação do desejo sexual e da personalidade da criança. Ela deve ser levada a perceber que a cama é do casal e que ela não deve dormir com eles. É um corte, uma lei, que ao mesmo tempo que legitima e fortalece a relação do casal, ajuda a criança a se desligar da mãe com quem ainda está tendo um vinculo muito intenso e simbiótico . A criança precisa desse corte para avançar no curso de sua sexualidade, vivenciando inconscientemente os desejos e angustias edipianos.Como  dar conta dos desafios e angustias dessa fase se está ocupando antes mesmo de sair desse conflito, o lugar designado, na cama, de ser esse homem ou essa mulher? Há uma escolha objetal em jôgo que determinará em grande parte os papeis que ocupara nas relações afetivas e sexuais quando adulto .

Ocupar o lugar do adulto interfere nos processos identificatórios que estão em curso e na escolha objetal /sexual . Ao ficar em um lugar que não é o seu, ocupando o lugar do pai  ou mesmo da mãe a criança inconscientemente faz casal, com um dos pais ,  torna-se o parceiro do progenitor, em uma posição diferente ao de filho.

As consequências  da manutenção desse vinculo erotizado com a mãe, através da proximidade  com o corpo do adulto  vão desde a  manutenção de um  vinculo infantilizado  com os pais, atraso no desenvolvimento psicosexual   com manutenção da dependência afetiva até a manifestações de angustia ou fobias com medos, distúrbios  de sono,  e dificuldades de identificação sexual ,

A AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR E ALUNO

O ser humano é social por natureza. Desde o inicio de sua vida relaciona-se de uma forma particular e especial com a figura materna que é a mediadora do mundo para o bebê. Gradativamente outras pessoas começam a fazer parte de seu mundo
As pessoas realmente importantes em nossa vida são aquelas que, com real e sincero interesse são capazes de nos escutar e nos responder com conselhos, criticas, reflexões e questionamentos. A ação dessas pessoas pode ter um efeito positivo em nossa conduta, levando-nos a melhorar comportamentos e aspectos negativos ou insatisfatórios de nossa personalidade. O diálogo estabelecido com aceitação e respeito torna-se positivo e construtivo porque ao nos percebermos aceitos e importantes para o outro não precisamos usar defesas, negações, nem nos sentirmos humilhados e depreciados .
Todos nós sabemos como são importantes relações humanas saudáveis e como estas relações, embora complexas, são peças fundamentais na realização de mudanças em nível comportamental. Não podemos pois ignorar a importância de tal interação entre professores e alunos em especial nos primeiros dez anos de vida, quando a base de nossa personalidade se estabelece.
A escola tem grande importância social por produzir modificações comportamentais e contribuir para a fixação de valores e ideais.
A criança , ao entrar na escola, passa a interagir com o meio social construindo relações afetivas, diferenciando-se do outro, e formando a estrutura do seu eu.
O professor assume um papel de destaque na aprendizagem da criança, pois ele é o mediador nesse processo e, não APENAS e EXCLUSIVAMENTE , o detentor do conhecimento e do saber. Por meio da afetividade, o educador influencia no resultado da educação de seus alunos. A maneira como o professor se comporta em sala de aula, por meio de seus sentimentos, intenções, desejos e valores, afeta seus alunos. Uma simples maneira de falar é capaz de fazer toda diferença. Sendo assim, o respeito, a amizade e a compreensão devem estar envolvidas neste processo.
A interação professor-aluno ultrapassa os limites profissionais , pois é uma relação que envolve sentimentos e deixa marcas para toda a vida. A criança precisa ser ativa na construção do conhecimento e responderá muito melhor, quando tem uma boa relação de afeto com o professor. Os alunos, na maioria das vezes, obedecem por que temem perder a amizade e a estima do professor e não por que têm consciência dessa necessidade . O professor deve estimular o aluno a pensar, a questionar, despertando sua curiosidade e dando-lhe oportunidade de experimentar e de agir sobre o conhecimento. Ser professor envolve também despertar no aluno valores e sentimentos como o amor ao próximo e o respeito mútuo , entre outros.
É através das diversas interações, escola, família, professor e aluno, que a criança ampliará suas experiências. Estas experiências contribuirão para a construção da sua personalidade Neste sentido pode-se dizer que a emoção é essencial ao individuo e a afetividade é o combustível das ações provocadas pelas emoções.
A criança precisa acreditar em si para melhorar a imagem que ela tem de si mesma. Dessa forma, quando há incentivo, as pessoas se sentem capazes e essa capacidade deve ser estimulada a todo o momento.
Para exercer sua função, o professor precisa aprender a combinar autoridade , respeito e afetividade, isto é, ao mesmo tempo que estabelece normas, deixando bem claro o que espera dos alunos, deve respeitar a individualidade e a liberdade que eles têm possibilitando-lhes desenvolver o senso de responsabilidade. O foco do professor tem de ser o grupo. Mesmo que tenha de atender um aluno individualmente , a interação deve estar sempre direcionada ao grupo e em torno dos objetivos e do conteúdo da aula.
Respeito se conquista, não se impõe. O dialogo é o melhor caminho para a solução de problemas. O professor deve ouvir os alunos, dando-lhes a atenção devida e cuidar para que aprendam a expressar-se, expor opiniões e dúvidas e para isso é necessário um clima de respeito e em uma ambiente não competitivo nem comparativo. As respostas e opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor. As dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos servem para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades.
O professor deve trabalhar com autoridade, isto é, saber que seu papel é de responsável maior, e na condição de mediador das relações e conhecimento, deve mostrar que não é o único a tomar decisões. Estas decisões deverão ser partilhadas e construídas, com vistas a superar práticas autoritárias, quando o professor é o que manda no aluno, decide por ele , impedindo o seu crescimento autônomo .
A conduta do professor influi na motivação, afetividade e dedicação do aluno ao aprendizado . A forma como o aluno sente que é visto pelo professor interfere e determina sua relação com o saber. É muito importante que o professor reforce a autoconfiança dos alunos, mantendo com eles uma atitude de cordialidade e respeito. Para aprender, o aluno precisa ter ao seu lado alguém que o perceba nas diferentes situações da aprendizagem e que o ajude a evoluir no processo, a fim de alcançar um nível mais elevado de conhecimento. Por meio da interação que se estabelece entre eles, o aluno vai construindo novos conhecimentos, habilidades e significações, sendo a afetividade fator primordial neste processo.
Segundo Wallon a afetividade pressupões três emoções básicas: Alegria( prazer), cólera( raiva) e medo . Todas são importantes para se conhecer a afetividade que permeia todas as relações significativas das pessoas, incluindo a de professor/aluno.
Para esse autor, o crescimento da inteligência está ligado à afetividade, ou seja, a afetividade e a inteligência são parceiros inseparáveis na evolução psíquica, pois ambas ajudam no desenvolvimento das crianças. As crianças não podem ser vistas pelos professores apenas como cabeças pensantes, pois trazem para a sala de aula o corpo e as emoções e cada uma destas envolve um grau de tensão .
A alegria resulta de um equilíbrio e de uma ação recíproca entre o tônus e o movimento(emoção eutônica). Traz inquietação e também, pode trazer entusiasmo para a realização de atividade. Esse tipo de emoção parece ser a que traz menor dano para o intelectual da criança. Na timidez há hesitação na execução dos movimentos e incerteza na postura a adotar. Há um estado de hipotonia, tal como nos estados depressivos. O Medo é demonstrado através de situações novas ou parcialmente novas como: responder a alguma atividade, apresentar um trabalho etc. A cólera e a ansiedade vinculam-se a um estado de hipertonia, no qual há excesso de excitação sobre as possibilidades de escoamento. Os componentes corporais da cólera ( contrações musculares, gritos, alteração da voz ) podem expor o professor diante da classe ao tornar visível para os alunos seu estado emocional gerando desgastes físicos e emocionais.
A raiva, a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos ganham funções relevantes na relação da criança com o meio A emoção impacta o outro e tende a se propagar no meio social.
Para Piaget o afeto é essencial no desenvolvimento e funcionamento da inteligência. Sem afeto não haveria interesse, nem necessidade, nem motivação.
Em conseqüência , perguntas ou problemas nunca seriam colocados e não haveria desenvolvimento da inteligência. A afetividade é uma condição imprescindível na construção da inteligência, embora não seja suficiente. É uma importante energia para o desenvolvimento cognitivo

As práticas pedagógicas

A sala de aula é um lugar onde as emoções se expressam, e a infância é a fase emocional por excelência. Como em qualquer outro meio social, existem diferenças, conflitos e situações que provocam os mais variados tipos de emoções. E, como é impossível viver num mundo sem emoções, ao professor cabe administrá-las e coordená-las. É imprescindível que o professor interaja com os alunos buscando descobrir seus motivos e compreendê-los. Assim, é preciso dar espaço para que a criança expresse seus próprios sentimentos, sem ser julgada, expressando-os de maneira socialmente aceitável. Não é errado nem feio sentir raiva. O que pode ser reprovado é a expressão inadequada da raiva, como bater em alguém.
O ideal é que o professor permaneça atento às manifestações afetivas dos alunos administrando essas situações emocionais e favorecendo a adaptação das crianças.. O professor consegue um bom resultado quando consegue ouvir os alunos em suas mensagens, não só verbais, como também as evidenciadas pela postura corporal, isolamento, silêncio, agitação e pela agressividade .

O professor favorece o equilíbrio na sala de aula quando adota atitudes que criam situações emocionais positivas como elogiar, estimular, aceitar limitações e dificuldades sem desconfiança e com respeito, demonstrar afeto e interesse pela vida do aluno, Dessa maneira estará estimulando o envolvimento entre professor-aluno e aluno-aluno. Porém na maioria das vezes, a criança percebe quando o professor gosta dele e acaba por tirar proveito dessa situação .
O olhar do professor para o seu aluno é indispensável para a construção e o sucesso da sua aprendizagem. Isto inclui dar credibilidade às suas opiniões, valorizar sugestões, observar, acompanhar seu desenvolvimento e demonstrar acessibilidade, disponibilizando-se para mútuas conversas. As relações afetivas se evidenciam quando a transmissão do conhecimento implica, necessariamente na interação entre pessoas.
A escola como meio social, é um ambiente diferente do familiar, porém bastante propício ao desenvolvimento das crianças por ser diversificado, rico em interações, permitindo-lhes estabelecer relações simétricas entre parceiros da mesma idade e assimétricas com os adultos. Ao contrário do ambiente familiar onde suas posições são fixas, na escola elas dispõem de uma maior mobilidade, sendo possível a diversidade de papéis e posições. Dessa forma, o professor e os colegas são interlocutores permanentes tanto no desenvolvimento intelectual como no caráter da criança.
O aluno sempre se satisfaz quando percebe que o professor gosta dele., compromete-se e se importa com ele. A criança precisa acreditar em si e ao ser elogiada e incentivada a dar o melhor de si vai se sentindo capaz.
O afeto do professor com alunos é uma ferramenta muito importante no processo de aprendizagem, motivação e adaptação do aluno. As crianças são extremamente sensíveis e perceptíveis e mesmo que não consigam expressar com palavras percebem quando o professor trata de forma diferencial alguma criança, e sofrem ao se sentirem depreciadas ou preteridas. A relação afetiva entre professor e alunos contudo, não pode ser a mesma das relações familiares e vai muito além de dar beijinhos, elogiar e acarinhar. Precisa ser demonstrado de forma diferente. Isso acontece quando o professor é sincero, justo, chama a atenção do aluno de forma respeitosa, não o decepcionando , não expõe o aluno, valoriza sua participação, aceita seus limites e estimula-o a dar o melhor de si. Este afeto se manifesta ainda quando não tem atitude e expectativas preconceituosas, prepara suas aulas de forma atrativa e adequada ao nível geral dos alunos.
O professor deve mostrar que gostar não significa fazer todas as vontades da criança, mas agir com paciência, dedicação e afeto para que o aprendizado se torne mais prazeroso e afetivo. O autoritarismo leva ao desinteresse pela aprendizagem
O prazer pelo aprender não se manifesta espontaneamente. Na maioria das vezes envolvem tarefas que não trazem em si satisfação e são vistas como obrigação. O prazer aparece em conseqüência destas ações e quase sempre resulta das atitudes dos professores. Obter bons resultados, boas notas, agradar ao professor, ser elogiado , são exemplos do que afirmamos. Para que isto se torne realidade , o professor deve despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no desenrolar das atividades em sala de aula.
Wallon (1994) ressalta que um fator que pode produzir situações conflituosas do ponto de vista da emoção é a limitação do espaço de expressão, movimento, liberdade, e interação da criança. As emoções dependem fundamentalmente da organização dos espaços para se manifestarem. Quanto ao tamanho do espaço, diz que as salas de aulas deveriam ser amplas uma vez que a criança precisa de espaço para se movimentar com liberdade. A escola tradicional imobiliza a criança na cadeira, limitando justamente a fluidez das emoções e do pensamento, tão necessários para o desenvolvimento completo da pessoa. O movimento é extremamente necessário para o desenvolvimento completo da criança tendo um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e afetivo. Ausência ou excesso de movimento podem gerar o surgimento de estados emocionais indesejáveis.
As reações posturais das crianças são normalmente interpretadas como desatenção. Assim, há uma grande insistência pela contenção do movimento, como se sua simples eliminação pudesse assegurar a aprendizagem da criança. Muitas vezes é necessário que o aluno se movimente dentro da sala de aula. Sabemos da importância da atenção dentro de sala de aula e das dificuldades para mantê-las com crianças menores. Contudo, o professor não pode entender um movimento como sinônimo de desatenção ou indisciplina..
Na maioria das vezes o professor tem dificuldade de reconhecer os estados emocionais das crianças e de lidar com suas expressões motoras.. Pode cometer o engano de interpretar expressões de alegria como indisciplina. Esse erro de leitura normalmente o leva a reagir com irritação diante da simples presença de uma criança hipertônica, demonstrando não estar preparado para lidar com as necessidades dela .
Quando uma forte emoção acomete o individuo, sua capacidade cognitiva fica reduzida impossibilitando-o de compreender a presença e as ações de uma autoridade As reações do professor podem determinar a diminuição ou o aumento das explosões emotivas da criança .
Quando um aluno está muito tumultuado emocionalmente , o professor deve utilizar-se de algumas técnicas para reduzir a sua emoção e deixá-lo menos vulnerável . Refiro-me à dramatização, ao desenho, ao relato oral, que podem ser utilizados dentro de sala de aula e até mesmo a introdução de exercícios posturais e de respiração que serão de proveito para toda a turma.
Os professores que não conseguem lidar com as situações emotivas que encontram em sala, tornam-se vulneráveis e frágeis aos olhos dos alunos. A crianças precisa sentir que o professor é uma pessoa que se importa com ele, sendo capaz de contê-la afetivamente, se necessário.
Muitas vezes, infelizmente, em nome da disciplina, professores tomam atitudes, no mínino pedagogicamente questionáveis: fazem imposições sem fundamento, retiram o aluno da sala de aula como medida disciplinar ao invés de tentar resolver os conflitos que ocorrem dentro da sala e no âmbito intra-classe . Pior, ameaçam os alunos e, mesmo inconscientemente chegam a humilhá-los. Ás vezes nos deparamos com docentes que ao ouvirem conversas durante a aula gritam com os estudantes, fazem ameaças dizendo que a prova se aproxima e que eles não conseguirão êxito . Afirmam que o conteúdo está “dado”, ou, então, como punição, passam exercícios valendo nota, para serem entregues ao final da aula.
Outros, simplesmente, ignoram tal fato, demonstrando, claramente, que estão mais preocupados em cumprir o conteúdo curricular planejado para aquela aula que descobrir o porquê da falta de interesse e da indisciplina da maioria dos alunos. Situações em que professores bem intencionados expõem as crianças sujeitas às suas fragilidades e dificuldades diante dos colegas não são incomuns. Infelizmente, têm conseqüências danosas para o desenvolvimento da capacidade de confiar no outro ser humano.
É aconselhável ,por ser altamente produtivo , que o professor desenvolva o hábito de fazer um reflexão e supervisão interna de suas ações para observar se suas atitudes incentivam a autonomia e o aumento da auto estima do aluno. Muitas vezes condutas inadequadas de alunos refletem atitudes inadequadas dos professores, como falta de autoridade, proteção excessiva, anotar deveres na agenda do aluno ao invés de deixar que ele o faça, fornecer as respostas dos exercícios quando eles não conseguem obtê-las deixando de ajudá-los a descobrir o erro. Pior ainda quando o professor se deixa levar pelos sentimentos e afetos e adota condutas diferenciadas privilegiando aqueles alunos que atendem suas expectativas comportamentais.
O professor deve manter o equilíbrio entre razão e emoção A ausência de emoção demonstrada pelo professor torna-o invisível e cego diante das manifestações verificadas na salas de aula.
O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno para dentro do tema , evidenciando analogias e paralelos que possam envolvê-los e fazer que participem de atividades e das questões tratadas, evitando dessa forma o desinteresse, a sonolência e a distração .
Quando o professor assume uma postura autoritária e acredita que o seu distanciamento é sinal de respeito acaba funcionando como um general que intimida os alunos mas não garante a aprendizagem. Esse tipo de professor costuma dar atenção e retorno apenas para os alunos que , sentados nas primeiras carteiras, olham-no atentamente. Quando algum dos , supostamente, desinteressados faz alguma pergunta, é simplesmente ignorado, ou recebe como resposta: “se você estivesse prestando atenção, teria entendido”. Convém salientar que essas “disputas” entre mestre e discípulos pouco ou nenhum resultado prático trazem. Um aluno que é retirado da sala de aula por comportamento inadequado e é encaminhado à coordenadora para levar uma bronca ou realizar uma pesquisa , como castigo, não obterá a aprendizagem desejada .,
O professor deve transmitir os conteúdos de forma clara e compreensível, formulando perguntas que facilitem a aprendizagem. Além disso o professor deve perceber a importância da interação propiciando situações de diálogo, aproximação, troca de experiências, construção de elos de amizade, companheirismo e respeito mútuo.
Um aluno jamais deve permanecer passivo e, mesmo que as respostas dadas sejam incompletas ou incorretas, o verdadeiro educador sempre deve fazer um comentário crítico construtivo: “Você quase conseguiu’ … ‘Valeu a tentativa!”; “Esqueceu, não é?” “Vamos ver se amanhã você já conseguiu se recuperar da amnésia”. A forma como ele conduz a aula deve despertar a curiosidade pelo ouvir e aprender. Ressaltar em tom de critica o esquecimento, o não saber de um aluno só vai levá-lo a temer se expor e ver a aprendizagem como algo sofrido.
Na atualidade, as crianças estão expostas e em contato com os recursos tecnológicos enquanto a escola ainda é tradicional e pouco se utiliza dos avanços tecnológicos. Assim, é importante que o professor se coloque como mediador no mundo em que as crianças vivem, procurando utilizar as contribuições tecnológicas que elas podem trazer, para tornar a aula mais atrativa.
Aulas dinâmicas, divertidas, linguagem clara, objetiva e de fácil entendimento, sempre associando o tema em questão a situações atuais, de conhecimento dos alunos, utilizando mais a explanação verbal do que o quadro (visto como um apoio para registrar, de forma resumida, alguma informação mais importante), tornam as explicações dadas pelo docente uma aula motivadora.

Olá pessoas

Sempre gostei de conversar e de falar mesmo, até sozinha. Converso mentalmente e imagino respostas. Depois que deixei a sala de aula ficou um vazio, gostava  muito das trocas que podiam ocorrer e muitas vezes ocorriam mesmo em sala de aula,O consultório é um espaço solitário. Resolvi criar esse blog para colocar textos já escritos ( mas que considero que possam ter utilidade para alguém)  e  para expor novas ideias , novos textos, comentar livros, textos, enfim iniciar uma possível conversa. Coloco um gancho e se iscar alguém podemos começar um bom papo.

Aceito consultoria para usar esse espaço, enquanto nao aprendo coloco textos como posts e como paginas depois vejo como deve ser melhor

até luisa